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quinta-feira, 14 de maio de 2026

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Dizeres do "Pão por Deus"

Ao pedir o "Pão por Deus", cantam-se as seguintes cantilenas, enquanto se anda de porta em porta:

"Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus."


Ou então:

"Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados

À porta daquela cruz
Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P´ra vir dar um tostãozinho.

"Quando os donos da casa dão alguma coisa:
"Esta casa cheira a broa

Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho.


"Quando os donos da casa não dão nada:
"Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto."
(tradição)


Pão por Deus - 1 de novembro

O Pão Por Deus é uma tradição bem Portuguesa, mas a sua origem evolução e história até hoje é algo fascinante. Por vezes no entanto pensamos que poderá estar ameaçado por um Halloween que até poderá ter raízes longínquas partilhadas.
A globalização tem cada vez implementado mais o Halloween entre os Portugueses. O fenómeno da televisão, e mais recentemente a Internet, trazem até nós esta festividade anglo-saxónica.

As Origens Pagãs

As oferendas aos mortos nestas alturas do ano são comuns em diversas culturas pagãs, incluindo as celtas que habitaram o que é hoje Portugal.
Tendo em conta que muitas teses apontam a origem do Halloween como festividades célticas é interessante ver as semelhanças e desenvolvimento de ambos.
Também sabemos que muitas festas pagãs foram aos poucos tomando roupagens Cristãs, e a pouco e pouco se fundiram.

A Origem do Pão Por Deus Cristão

Com o passar dos anos foi cada vez mais promovido pela Igreja Católica o culto dos mortos, e a tradição de reservar lugar à mesa, e também de deixar comida para os mesmos.
Começou também o costume de deixar o primeiro pão de uma fornada nesta altura à porta da casa tapado por um pano. Seria para honrar os mortos, mas a intenção era também quem de mais pobre por ali passasse tomasse a parte física para si.
Assim este pão para os fieis defuntos começou a ter a vertente de partilha com quem necessitava.

O Terremoto de 1755

Um dos dias mais negros da história de Portugal é o de 1 de Novembro de 1755. Neste Dia de Todos os Santos, Lisboa viria a sofrer a maior catástrofe da sua história, sendo muito do país também afectado por ela.
Aí os afectados por tal tormenta foram a quem algo salvou pedir Pão Por Deus, tentando ter algo para matar a fome, aos que sobreviveram à catástrofe,
Relatos contam que nos anos seguintes nesse mesmo dia se aumentou o costume do Pão Por Deus, em jeito de celebração e agradecimento a quem tinha sobrevivido. Talvez por isso esta tradição seja tradicionalmente mais forte na região da grande Lisboa.

A Evolução até aos dias de Hoje

Com o passar dos anos progressivamente passou a ser cada vez mais um peditório das crianças. No século XX, onde os registos são mais constantes e fiáveis, começamos a ver muito o Pão Por Deus como a festa das Crianças.
Neste dia as crianças de manhã cedo iam de porta em porta a pedir o Pão Por Deus. Recebendo tradicionalmente frutos secos, romãs, pão e bolos.
Nos anos mais recentes, e mesmo contando alguns ciclos de menor fulgor, começou a ver-se cada vez mais como um dia em que as crianças pedem de porta em porta doces, sendo que ainda se continua a ver alguns frutos secos.
O saco de pano do Pão Por Deus é muito comum em todos estes registos, e nos dias que correm continua a existir, sendo que com a Internet temos visto muitos pequenos negócios a vender até versões personalizadas dos mesmos.

O Doçura ou Travessura Português

Um dos pontos de enfoque da cultura popular americana, que nos chega pela televisão e Internet, é a doçura ou travessura. É, no entanto, engraçado ver que algo semelhante existe tradicionalmente registado em Portugal.
As rimas e cantigas são normalmente descritas quando as crianças batem à porta. E em alguns casos vemos que detêm estrofes de agradecimento a quem oferta doces, mas menos simpáticas para quem não o faz.

A Cantiga Inicial

Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
À bela, bela cruz
Truz, Truz!
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho.

A resposta nas casas em que são ofertados doces.

Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.

E a resposta para quem não os dá

Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto

Variações ao longo do país

Em muitas outras regiões do país, o Pão Por Deus é celebrado. No entanto, existe ao longo do território algumas variações do mesmo.
Na Estremadura é conhecido muitas vezes como o “Bolinho”, e a tradição é dar bolos festivos especialmente confeccionados nesta época do ano.
Já nos Açores a tradição é dar estas caspiadas, que dizem lembrar a o topo de uma caveira humana, honrando assim também os mortos.
Desde a tradição céltica, passando por todas as tradições cristãs, o Pão Por Deus é neste momento uma festa do povo, e mais que tudo das crianças.
Com ou sem máscaras, com ou sem Halloween, o Pão Por Deus está para ficar, e penso até que tem voltado a crescer nos últimos anos. E é mais uma bela tradição de Portugal.

terça-feira, 13 de junho de 2023

Um tostão para o Santo António

"Andava um garoto a pedir um tostãozinho para o Santo António. Uns davam, outros não. Até que passou por ele um senhor de sobretudo comprido, até aos pés, e de sandálias, vejam bem. E se estava frio! O garoto, cá de baixo, reparou no desconcerto, não deu importância. E vá de pedir:
— Dê-me um tostãozinho para o Santo António...
O senhor do sobretudo castanho todo esfarrapado debruçou-se para o miúdo e, sorrindo, disse-lhe assim:
— Tanto andas tu a pedir como eu. Hoje ainda não me deram nada.
— A mim já — respondeu o garoto. — Quer ver? E mostrou-lhe, na palma da mão, umas tantas moedas. O mendigo contou-as.
— Davam e sobravam para pagar uma sopa e um pão, ali, na taberna da esquina — observou o mendigo.
— Mas eu não tenho fome — preveniu o garoto. — A minha mãe deu-me de almoçar, ainda agora.
O senhor mendigo suspirou e disse:— Pois a minha mãe já morreu. Deve ser por isso que ainda não comi nada, hoje...
O mocinho olhou para o homem, a certificar-se se seria verdade o que ele dizia. Os olhos tristes do mendigo garantiram-lhe que sim.
Foi a vez de o garoto suspirar:— Este dinheiro era para eu comprar berlindes...
O homem de sandálias admirou-se:— Mas tu, há bocadinho, não pedias para o Santo António?
O garoto riu-se:— É um costume. Quero eu lá saber do Santo António! É tudo para os berlindes.
O mendigo não estranhou a revelação. Percebia-se, a conversa ia ficar por ali.
Despediu-se:— Ainda tenho hoje muito que andar. Adeus e boa colheita.
O rapazinho viu-o descer a ruela, num passo cansado. Então, num impulso, correu atrás dele e puxou pela ponta da corda, que o homem trazia à roda da cintura:
— Tome lá para um pão e para uma sopa. Mas não vá ali àquela casa da esquina, que são uns mal-encarados. Na outra rua abaixo, há mais onde comer.
O homem de sandálias e sobretudo roto, que lhe davam um ar de frade de antigamente, agradeceu as moedas e o conselho e seguiu caminho.O garoto voltou ao seu poiso. E quando, pouco depois, porque estava frio, meteu as mãos nos bolsos, encontrou-os atulhados de berlindes...".

António Torrado, O mercador de coisa nenhuma: Porto, Livraria Civilização Editora, 1994.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Os três Reis Magos


Após o nascimento de Jesus, segundo o Evangelho de São Mateus, surgem os Reis Magos provenientes do Oriente, que o visitaram em Belém guiados por uma estrela.
Esta denominação de «Mago» tem conotação de sapiência entre os Orientais ou designa ainda astrólogos, deduzindo-se inicialmente que seriam Astrólogos eruditos. Isto pensa-se por se contar que terão avistado uma estrela que os terá guiado até onde Jesus nasceu. Terão chegado até Cristo a 6 de Janeiro, data que actualmente se comemora o «Dia de Reis».
O nome de «Reis» fora colocado com base na aplicação liberal do Salmo 71,10 realizada pela Igreja. Não há informação de quantos seriam e os seus nomes, existem sim apenas suposições e algumas pinturas dos primeiros séculos, aparecendo dois, quatro e doze «Magos».
Após o Evangelho terão sido atribuídos os nomes dos «Reis»; Baltazar, representante da raça africana ; Belchior, representante da raça europeia e Gaspar que representava a raça asiática, representando todas as raças conhecidas até à data, simbolizando a homenagem de todos os Homens da Terra a Jesus.
Pelo número de prendas deduziu-se quantos seriam, pois ofereceram três presentes, ouro (Belchior), incenso (Gaspar) e mirra (Baltazar).


As prendas têm uma simbologia, pois o ouro era somente oferecido a Reis, perfazendo a sua nobreza; o incenso, representa a divindade e a mirra, simboliza Jesus como Homem e o sofrimento que iria ter ao longo da sua vida.
Sendo países tradicionalmente católicos, Espanha e Itália são os países que maior importância e simbolismo atribuem a esta tradição.
As crianças espanholas e italianas celebram o Natal como todas as outras mas têm de esperar pelo dia de Reis, 6 de Janeiro, para receber as tão desejadas prendas.
Autor desconhecido

História do Bolo Rei

O bolo rei está repleto de simbologia. Não é por acaso que tem forma de coroa e brilho nas suas frutas cristalizadas. Reza a lenda que este doce representa os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus aquando do seu nascimento.

A côdea simbolizava o ouro, as frutas secas e cristalizadas representavam a mirra e o aroma do bolo assinalava o incenso.

Ainda na base do imaginário, a existência duma fava também tem a sua explicação: quando os Reis Magos viram a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Cristo, disputaram entre si qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar ao menino os presentes que levavam. Como não conseguiram chegar a um acordo e com vista a acabar com a discussão, um padeiro confeccionou um bolo escondendo no interior da massa uma fava. De seguida, cada um dos três Magos do Oriente pegaria numa fatia. O Rei Mago que tivesse a sorte de retirar a fatia contendo a fava seria o que ganharia o direito de entregar em primeiro lugar os presentes a Jesus.

O dilema ficou solucionado, embora não se saiba se foi Gaspar, Baltazar ou Belchior o feliz contemplado. É claro que isto é só uma lenda, historicamente falando, a versão é bem diferente.

Aproveitando um inocente jogo de crianças, os Romanos inseriram a sua prática nos banquetes durantes os quais se procedia à eleição do rei da festa, que consistia em escolher entre si um rei tirando-o à sorte com favas, por isso designado por vezes também rei da fava.

A Igreja Católica aproveitou o facto de aquele jogo ser característica do mês de Dezembro e decidiu relacioná-lo com a Natividade e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro.

A influência da Igreja na Idade Média determinou que esta última data fosse designada por Dia de Reis e simbolizada por uma fava introduzida num bolo, cuja receita se desconhece.

Havia ainda a tradição de que os cristãos deveriam comer 12 Bolos Reis, entre o Natal e o Dia de Reis, festa que muito cedo começou a ser celebrada na côrte dos reis de França. O Bolo Rei terá, aliás, surgido neste país no tempo de Luis XIV para as festas do Ano Novo e Dia de Reis. Vários escritores da época escreveram sobre esta iguaria, até mesmo Greuze celebrou-o num famoso quadro, com o nome de Gâteau dês Róis.

Com a Revolução Francesa, em 1789, este bolo foi proibido, “como mais tarde iria acontecer em Portugal”, só que os pasteleiros que tinham um excelente negócio em mãos em vez de o eliminarem decidiram continuar a confeccioná-lo chamando-lhe Gâteau dês Sans-cullotes.

Com isto, parece não haver dúvidas que o Bolo Rei tem verdadeiras origens francesas, apesar do Bolo Rei popularizado em Portugal no século passado não ter a ver com o bolo simbólico da festa dos reis existente na maior parte das províncias francesas a norte do rio Loire, na região de Paris, onde o bolo é uma rodela de massa folhada recheada de creme.

O nosso Bolo Rei segue a receita a sul de Loire, um bolo em forma de côroa feito de massa lêveda. Acrescenta-se que ambos os bolos continham uma fava simbólica, podendo ser um objecto de porcelana. Tanto quanto se sabe, a primeira casa onde se vendeu Bolo Rei em Portugal foi em Lisboa na Confeitaria Nacional, por volta do ano de 1870, bolo esse feito pelo afamado confeiteiro Gregório através duma receita que Baltazar Castanheiro Júnior trouxera de Paris.

Durante a Quadra Natalícia a Confeitaria Nacional oferecia aos lisboetas uma exposição de tudo quanto de mais delicado e original a arte dos doces podia então produzir. A pouco e pouco, outras confeitarias também passaram a fabricá-lo o que deu origem a várias versões.

No Porto foi posto à venda pela primeira vez em 1890, por iniciativa da Confeitaria Cascais, feito segundo receita que o proprietário Francisco Júlio Cascais trouxera de Paris.

Assim o Bolo Rei atravessou com êxito os reinados da rainha D. Maria II e dos reis D. Pedro, D. Luis, D. Carlos e D. Manuel II.Vieram depois o Estado Novo de Salazar e Marcelo Caetano e a Revolução de 25 de Abril de 1974. Mas foi com a proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 que vieram os piores tempos para o Bolo Rei, ficando em risco a sua existência, tudo por causa da palavra “rei”, símbolo do poder supremo que numa lógica de hoje nos faz rir. Ora morto este símbolo, o bolo tinha que desaparecer ou mascarar-se para evitar a guerra que lhe podia ser feita. Os confeiteiros partiram do princípio de que negócio é negócio e política é política e continuaram a fabricar o bolo sob outra designação. Os menos imaginativos deram-lhe o nome de ‘ex-bolo rei’, mas a maioria chamou-lhe bolo de Natal ou bolo de Ano Novo.

A designação de bolo Nacional seria a melhor, uma vez que remetia para a confeitaria que o tinha introduzido em Portugal e também por estar relacionado com o país o que ficava bem em período revolucionário.

Não contentes com nenhuma destas ideias, os republicanos mais radicais chamaram-lhe bolo Presidente e até houve quem he chamasse bolo Arriaga. Não se sabe como reagiu o Presidente da República, mas convenhamos que a homenagem não tivesse sido a melhor.

Passado esse período negro, a história deste bolo tem sido um sucesso.

A receita do Bolo Rei correu mundo, muito contribui para isso a fama que o bolo ganhou por proporcionar expectativa a quem comesse a fatia que continha a fava ou o brinde. A fava amaldiçoada pelos sacerdotes Egípcios que a viam como alojamento para os espíritos é considerado o elemento negativo, representando uma espécie de azar, tendo quem a encontra duas opções: assumir o pagamento do próximo bolo ou correr perigo de engoli-la.

Por sua vez, o brinde era colocado no bolo com o objectivo de presentear os convidados com quem se partilhava o bolo. Havia quem colocasse nos bolos pequenas adivinhas complicadas por sinal, mas cuja recompensa seria meia libra de ouro.

Porém outros incluíam propositadamente as moedas de ouro na massa, por uma forma requintada de agradecimento, como se o próprio bolo não chegasse. Infelizmente, com o passar do tempo, o brinde passou a ser um pequeno objecto metálico sem outro valor que não o do símbolo e pouco evidente para a maioria das pessoas. Como não bastasse, as leis comunitárias ditaram o fim da tradição, proibindo que no interior do bolo se encontre uma fava ou um brinde.

Mesmo assim, o Bolo Rei continua a ser um símbolo da época Natalícia e hoje os confeiteiros e pasteleiros não se poupam a esforços na sua promoção, por isso se enchem de clientes para adquirir o rei das iguarias nesta quadra festiva.

O Bolo Rei não se limita a ser um bolo com gosto agradável, ele é na verdade um verdadeiro símbolo desta época!

Teresa HenriquesCake & Chocolate Designer nas Caldas da Rainha
in Jornal das Caldas online

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

O Dia de Reis pelo Mundo e as Diferentes Tradições

No Dia de Reis, celebra-se a figura dos três Reis Magos e a tradição estende-se aos quatro cantos do mundo.

O Dia de Reis, celebrado anualmente a 6 de janeiro, é uma tradição cristã e representa o dia em que Jesus Cristo, recém-nascido, recebeu a visita de magos do Oriente, depois de serem guiados por uma estrela. Os Reis Magos ofertaram ao Menino Jesus ouro, incenso e mirra, assim diz a lenda.

A tradição surgiu no século VIII e marca o dia da veneração aos Reis Magos, convertendo em santos Belchior, Gaspar e Baltazar. É ainda nesta data que se encerram, para os católicos, os festejos natalícios, sendo tradição desmontar os presépios e retirar os enfeites natalícios.

Manda a tradição reunir a família para celebrar o fim dos festejos de Natal. A ementa tradicional é semelhante às iguarias do Natal: bacalhau com as batatas cozidas, o bolo-rei, o pão de ló, as rabanadas, os sonhos, entre outros. Neste dia, não podem faltar os cânticos das “Janeiras”.

Tradição de Reis em Portugal

Em Portugal, o tradicional bolo-rei faz parte da celebração de Reis. Existem variações a este bolo: o bolo rainha, o bolo escangalhado, o bolo rei de chocolate, alguns sem as tradicionais frutas cristalizadas.

Algumas zonas do país, principalmente nos meios mais pequenos, continuam ainda com o hábito de cantar as Janeiras. Isto é, a partir do 1 de janeiro até ao dia 6, grupos de pessoas vão para a rua a cantar de porta em porta. Como agradecimento recebem comida e bebida.

Tradição de Reis em Itália

Em Itália, a tradição mais conhecida no Dia de Reis é a da “Befana”. Aqui, no lugar do Pai Natal, uma senhora já com alguma idade toma o seu lugar a distribuir prendas às crianças.

Tradição de Reis na Argentina e no Uruguai

Semelhante a Portugal, aqui têm o hábito de comer um bolo conhecido como “Rosca de Reyes”, muito parecido ao bolo-rei. É ainda habitual as crianças deixarem um sapato junto à porta com erva e água para os camelos dos Reis Magos.

Tradição de Reis na Finlândia

Para comemorar o “Loppiainen”, têm a tradição de fazer bolachas de gengibre em forma de estrela, as “Piparkakut”, ao mesmo tempo que pedem desejos. A tradição dita que a bolacha seja partida em três pedaços, na palma da mão e que seja comida em silêncio para o que o desejo se realize.

Tradição de Reis na Bulgária

No Dia de Reis, um Padre atira uma cruz de madeira para dentro de água e os homens mais jovens devem mergulhar para a resgatar. Visto que nesta altura do ano as águas estão muito frias, reza a lenda que a pessoa que resgatar a cruz vai gozar de boa saúde e de sorte.

Tradição de Reis nos Estados Unidos



No Estado do Louisiana, o Dia de Reis marca o início das preparações do Carnaval. Aqui também é habitual comer o “King Cake”, semelhante ao bolo-rei de Portugal, até à celebração do “Mardi Gras” (terça-feira Gorda).

Tradição de Reis no Brasil

Aqui grupos de pessoas juntam-se a tocar diversos instrumentos, seguindo as ordens do Mestre de Folia, da Folia dos Reis, uma manifestação religiosa praticada pelos católicos. Nesta data, comemora-se com festas onde se servem doces e comidas típicas das diversas regiões.

Tradição de Reis em França



Neste país, come-se o bolo “Galette des Rois” à base de amêndoa ou maçã. Tal como outrora em Portugal, o bolo também tem um brinde no seu interior e quem o encontrar será o rei, pelo menos por uma noite.

Tradição de Reis na Irlanda

O Dia de Reis na Irlanda é considerado o Natal das Mulheres. Neste dia, as mulheres tiram o dia para descansar, depois do trabalho que tiveram entre o Natal e o Ano Novo. Neste dia, grupos de mulheres juntam-se e partilham uma refeição.

Tradição de Reis em Malta

Neste país, a data é celebrada no primeiro domingo do mês onde é habitual a realização de concertos, sendo o principal da responsabilidade da Orquestra Nacional do país.

Tradição de Reis nos Países Baixos

Na Holanda, Bélgica e Luxemburgo, é habitual que grupos de três crianças andem de porta em porta a entoar canções e, em troca, recebem dinheiro ou doces.

Tradição de Reis em Espanha


Aqui comem a “Rosca de Reyes”, semelhante ao bolo-rei. É no Dia de Reis que os espanhóis têm a tradição de trocar presentes. Em algumas cidades organiza-se o cortejo dos Reis Magos, a que chamam de “Cabalgata de Reyes”. Os Reis Magos desfilam em carros bem decorados, acompanhados de muitos cavaleiros e lançam doces à assistência. É ainda comum oferecer “carvão de azúcar” às crianças.

Tradição de Reis no México

Seguindo as tradições de países como Espanha, Argentina e Uruguai, é também neste dia que se fazem as trocas de presentes e se come a “Rosca de Reyes”.

Tradição de Reis na Alemanha

Tal como na Hungria, aqui as crianças também se disfarçam de Reis Magos e escrevem as iniciais do nome nas portas das casas.

Tradição de Reis em Porto Rico

Na madrugada de 5 para 6 de janeiro, as crianças recolhem um pouco de erva ou folhas no pátio das suas casas e colocam numa caixa ao lado das suas camas. A lenda diz que os camelos alimentam-se com isso e os Reis Magos deixam um presente como recompensa.

Tradição de Reis em Cuba

Este dia em Cuba é conhecido como a “Páscoa dos Negros”, pois desde o tempo da colonização espanhola que se dava folga aos escravos nesta data. Estes saíam à rua para dançar ao som dos tambores.

Tradição de Reis no Perú

Outrora também era uma data em que se festejava com a oferta de presentes às crianças, contudo, essa tradição caiu em desuso. No 6 de janeiro, celebram a “Bajada de Reyes” e fazem uma pequena festa familiar durante a qual se desmonta o presépio. Por cada figura e adorno que se guarde, dita a tradição que se deve deixar dinheiro.

No geral, o Dia de Reis encerra o Natal com várias comemorações por todo o mundo. Alguns países com tradições mais específicas que outros, mas sempre mantendo a essência da história dos Reis Magos. 

6/01/2020, POR NATIONAL GEOGRAPHIC

domingo, 10 de dezembro de 2017

A árvore de Natal


Um símbolo da vida, a árvore de natal é uma tradição muito mais antiga do que o Cristianismo e não é um costume exclusivo de nenhuma religião em particular.

Muito antes da tradição de comemorar o Natal, os egípcios já levavam galhos de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano, em Dezembro, simbolizando o triunfo da vida sobre a morte. Os romanos já enfeitavam suas casas com pinheiros durante a Saturnália, um festival de inverno em homenagem a Saturno, o deus da agricultura. Nesta época, os religiosos também enfeitavam árvores de carvalho com maçãs douradas para as festividades do Solstício de Inverno.

A tradição da árvore de Natal

A primeira referencia à árvore de Natal como a conhecemos hoje data do século XVI.
Em Strasbourg, Alemanha (hoje território francês), todas as famílias decoravam pinheirinhos de natal com papéis coloridos, frutas e doces. A tradição espalhou-se por toda a Europa e chegou aos Estados Unidos no início de 1800. Desde essa altura que a popularidade da árvore de natal tem aumentado.

Reza a lenda de que o pinheiro foi escolhido como símbolo do Natal por causa da sua forma triangular e que de acordo com a tradição cristã representa a Santíssima Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Na Europa, uma das tradições natalinas consiste em decorar um pinheiro com maçãs, doces e pequenos wafers brancos, representando a eucaristia. A Árvore do Paraíso, como é chamada, era o símbolo da festa de Adão e Eva, que acontecia no dia 24 de Dezembro, muito antes da tradição cristã do Natal.
Hoje, a árvore não só representa o Paraíso como no início da tradição, mas também a salvação.

Segundo uma antiga tradição alemã, a decoração de uma árvore de natal deve incluir 12 ornamentos para garantir a felicidade de um lar:

Casa: protecção

Coelho: esperança

Xícara: hospitalidade

Pássaro: alegria

Rosa: afeição

Cesta de frutas: generosidade

Peixe: benção de Cristo

Pinha: fartura

Pai Natal: bondade

Cesta de flores: bons desejos

Coração: amor verdadeiro

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A lenda do Bolo Rei

Resultado de imagem para bolo reiTudo começou com os três Reis Magos. Caminhando pelo deserto, Baltasar, Belchior e Gaspar levavam consigo ouro, incenso e mirra para oferecer ao Messias.
Orientados por uma estrela, sete quilómetros antes de chegarem ao seu destino, começaram a discutir qual seria o primeiro a entregar as suas oferendas a Jesus.


Para resolver a contenda aceitaram a sugestão de um artífice que propunha fazer um bolo com uma fava. Depois de cozido, o artífice partiu o bolo em três e o Rei que ficou com a fava foi o primeiro a entregar os presentes.E assim surge o bolo-rei, cozido uma vez por ano na altura do Natal. A cor do bolo está associada ao ouro, o miolo e frutas secas à mirra e o aroma ao incenso.


Outra explicação associada ao bolo-rei está relacionada com os Romanos que nas festas dedicadas a Saturno usavam as favas para eleger o Rei da Festa. Este jogo, muito popular entre as crianças, assumiu tal importância que chegou a ser usado nas assembleias.


Mais tarde, quando o Cristianismo passou a ser a religião oficial do Império Romano, a Igreja Católica apropriou-se das Festas de Saturno que decorriam em Dezembro, passando a celebrar o Natal. O dia 6 de Janeiro passou a ser o Dia de Reis, altura em que as crianças recebem presentes.


Existe ainda uma outra tradição associada ao Bolo-rei. Em França, no reinado de Luís XIV, havia a hábito de comer 12 bolos-rei entre o Natal e o Dia de Reis. Veio depois a ser proibida a sua produção logo após a revolução francesa.

Em Portugal, com a República, a confeção do bolo diminuiu.
E apesar de atualmente o calendário de jejum não ser cumprido com tanto rigor, a tradição do bacalhau manteve-se, principalmente na época do Natal.

Fonte desconhecida.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

As tradições de Natal, de forma breve



O presépio e os anjinhos. As rabanadas e os sonhos. Meias penduradas na lareira, para quem a tem, e uma árvore de Natal a piscar. Símbolos religiosos e outros misturam-se na maior parte das casas portuguesas por esta altura. Tudo para manter mais presente e próximo o Natal.

Ainda que cada vez menos rígidas, as tradições de Natal envolvem habitualmente alguns rituais religiosos, tais como a montagem do presépio, a carta ao Menino Jesus e a Missa do Galo.

A tradição «mandava» que os mais novos tratassem da recolha de material para a criação do Presépio. Entre encenações mais minimais, apenas com os três elementos da Sagrada Família, Menino Jesus, Maria e José, até «grandes produções» que contavam com os Reis Magos, os pastores e as suas ovelhas, os vendedores, o que contava, e ainda conta, é acima de tudo o empenho.

As cartas ao Menino Jesus são cada vez mais escassas. O Pai Natal, bonacheirão americano, passou a dominar as atenções dos mais novos que enchem de pedidos este símbolo natalício que, no final das contas, talvez lhes pareça mais próximo do que um menino com quase 2009 anos, infelizmente...

Depois da consoada, algumas famílias rumam até à Igreja mais próxima para assitir
à missa da meia-noite, a Missa do Galo. Aquele que é o principal acto litúrgico desta época já perdeu muitos dos seus «adeptos» do passado, mas ainda continua a compôr algumas igrejas.

Se na consoada as famílias saboreiam, na maioria, o perú assado ou o bacalhau com todos, a ceia contempla todo a espécie de doces tradicionais desta quadra: filhós, rabanadas, azevias, sonhos, aletria, broas de vários tipos, belhós, coscorões, etc.. Na verdade, com maior ou menor facilidade, juntam-se nas mesas de Natal uma autêntica «montra» de delícias.

Também com o seu lugar reservado nas mesas natalícias está o Bolo-Rei. Apesar de as últimas regras de higiene alimentar terem travado um pouco a tradição da fava e do brinde, estes dois «intrusos» continuam a marcar lugar entre a massa e os frutos cristalizados. Quem acerta no brinde tem direito a um (muito) pequeno brinde. Quem acerta na fava tem a responsabilidade de comprar o próximo bolo-rei.

Tal como em todas estas tradições a abertura dos presentes não foge à regra e oscila muito entre as casas. Se algumas famílias optam por abrir os presentes logo à meia-noite, algumas esperam pela manhã de dia 25 de Dezembro...

Comum a toda a época natalícia é a música. Se em algumas zonas ainda se realizam os míticos cantares de porta a porta, noutras esta tradição já só acontece no dia de Reis, com as Janeiras.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Patrono dos Presépios



Na noite de Natal de 24 de Dezembro de 1223, São Francisco de Assis recriou pela primeira vez um presépio. Tudo se passou numa gruta na floresta de Greccio, uma pequena aldeia do norte de Itália. O nascimento de Jesus foi recriado com animais verdadeiros. No feno, foi colocada uma imagem do Menino Jesus, ladeada pelas figuras de Maria e José.

Nessa época, a realização de dramas litúrgicos nas igrejas era proibida; por isso, São Francisco teve que solicitar uma autorização especial ao Papa Honório III. Parte das imagens desse presépio, encontram-se actualmente na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.

Uma grande multidão assistiu nesse ano à missa. As velas eram tantas que a floresta ficou iluminada como se fosse dia. A manjedoura, nessa noite, fez as vezes do altar.

No ano seguinte, os habitantes de Greccio, inspirados pela recriação, começaram a reproduzir presépios em grutas e estábulos.

S. Francisco morreu dois anos depois e com o seu desaparecimento a representação do nascimento de Cristo esmoreceu.

No entanto, frades franciscanos continuaram o legado de São Francisco, construindo presépios semelhantes à encenação realizada pelo seu Santo padroeiro, em conventos e igrejas europeias. Em 1986, São Francisco de Assis é reconhecido como Santo padroeiro dos presépios.
Presépio, em hebraico, significa manjedoura de animais.
in Wikipedia

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

Receita do "Bolo-Rei"

Ingredientes:
750 g de farinha ;
30 g de fermento de padeiro ;
150 g de manteiga ou de margarina ;
150 g de açúcar ;
150 g de frutas cristalizadas ;
150 g de frutas secas (pinhões, nozes, passas, etc.) ;
4 ovos ;
1 limão ;
1 laranja ;
1 dl de vinho do Porto ;
1 colher de sobremesa (rasa) de sal grosso

Confecção:
Picam-se as frutas cristalizadas e põem-se a macerar com o vinho do Porto juntamente com as frutas secas.Dissolve-se o fermento em 1 dl de água tépida e junta-se a uma chávena de farinha (tirada do peso total). Mistura-se e deixa-se levedar em ambiente morno durante cerca de 15 minutos. Entretanto, bate-se a gordura escolhida, o açúcar e a raspa das cascas do limão e da laranja. Juntam-se os ovos, um a um, batendo entre cada adição, e depois a massa de fermento. Quando tudo estiver bem ligado, adiciona-se a restante farinha peneirada com o sal. Amassa-se ou bate-se a massa muito bem. Esta massa deve ficar macia e elástica. Se estiver muito rija, junta-se um pouco de leite tépido. Misturam-se as frutas maceradas no vinho do Porto. Volta a amassar-se e molda-se em bola. Polvilha-se a massa com um pouco de farinha, tapa-se com um pano e envolve-se a tigela num cobertor. Deixa-se levedar em ambiente morno durante cerca de 5 horas. Quando a massa estiver bem levedada - em princípio deve dobrar de volume -, mexe-se e molda-se novamente em bola (ou em várias bolas) e já sobre um tabuleiro untado faz-se-lhe um buraco no meio. Introduz-se a fava e o brinde, este embrulhado em papel vegetal. Deixa-se levedar durante mais 1 hora. Pincela-se o bolo com gema de ovo e enfeita-se com frutas cristalizadas inteiras, torrões de açúcar, pinhões inteiros, meias nozes, etc. Leva-se a cozer em forno bem quente. Depois de cozido, pincela-se o bolo-rei com geleia diluída num pouco de água quente.
Para impedir que a rodela feche, pode introduzir-se uma tigela no buraco.
Pensa-se que este bolo, que é hoje um dos símbolos da festa do Natal, é uma versão adaptada da «gallette des rois», de Bordéus. Começa a fabricar-se nos Fins de Novembro e vê-se em todas as pastelarias até meados de Janeiro. Todos os bolos devem conter uma fava e um brinde. A fava obriga aquele a quem sair a uma penalidade, que será cumprida no ano seguinte, ofertando um bolo-rei àqueles que o acompanharam na cerimónia do ano anterior.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Por que razão "25 de Dezembro"?



Todos festejam o Natal no dia 25 de Dezembro. É data unânime. Mas por que razão? Apesar de a resposta « foi nesse dia que Jesus Cristo nasceu» ser a mais comum, é inexacta.

A data exacta do nascimento de Jesus Cristo é incerta. Sabe-se que, segundo a Bíblia, "nasceu no tempo do Rei Herodes" e que este morreu em 6 a. C.. Na verdade, este facto não preocupou a Igreja, visto que aquilo que realmente interessava era o Messias ter chegado para salvar a humanidade.

25 de Dezembro, desde quando?

Consta que foi perto dos anos 243 e 336 que o dia 25 de Dezembro foi escolhido para celebrar o nascimento de Jesus.

E qual a razão desta escolha? Por que razão o dia 25 de Dezembro?

A origem está no Imperador Aureliano, quando este oficializou o culto ao Sol, no ano de 274, mandando construir um templo e fixando a sua festa no dia 25 de Dezembro, no solstício de Inverno.

A passagem para o festejo do Natal aconteceu com o objectivo de dar o novo sentido cristão a uma celebração de origem pagã.
Na verdade, foi assim que os cristãos passaram a festejar no vigésimo quinto dia de Dezembro o nascimento de Jesus!

Por que razão oferecemos prendas?



A origem dos presentes de Natal tem várias explicações.

A troca de presentes era comum nas comemorações do Solstício de Inverno, altura em que os oficiais romanos ofereciam presentes ao imperador, visto tratar-se do dia de celebração do deus sol.

Outra explicação está relacionada com São Nicolau. Conta a lenda de São Nicolau que este conheceu três jovens gregas muito pobres que não se conseguiam casar. O pai tinha entrado em falência e por isso não tinha um dote para dar por cada uma das suas filhas. Para piorar a situação o pai, em desespero tentava vendê-las assim que completassem 18 anos.

Comovido com a situação, São Nicolau decide durante a noite atirar moedas de ouro pela chaminé da casa das jovens solteiras. No dia seguinte as jovens encontraram as moedas nas meias que tinham ficado a secar penduradas na lareira.

Mais tarde, nas comemorações de São Nicolau, um santo conhecido pela sua caridade e generosidade, os pais costumavam oferecer aos filhos chocolates e frutas. Durante algum tempo também se ofereciam raminhos de oliveira.

Por fim, a história mais conhecida dos presentes de natal está associada aos Reis Magos que ofereceram a Jesus ouro, incenso e mirra. O ouro representa a realeza divina o incenso a transcendência e as orações humanas que se elevam a Deus como a fumaça e o perfume e a mirra, usada para embalsamar os corpos no Oriente e que simboliza a eternidade que vem depois da morte.

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