quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Bolinhos e bolinhós

Bolinhos e bolinhós

Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
À bela, bela cruz
Truz, Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho.

Quando há ofertas, canta-se:

Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.

Quando nada oferecem:

Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto

Dia de Todos os Santos no 1º Ciclo

EB 1 - Timpeira:  1º e 2º anos

EB 1 - Corgo: 1º, 2º, 3º e 4º anos

EB 1 - Prado: 1º e 2º anos


EB 1 - Parada de Cunhos: 1º, 2º, 3º e 4º anos

EB 1 - Bairro 3ºB

EB 1 - Bairro 2ºB

Imagens da colega Maria João Palma - Blog SerMais.

Filme Coco sobre o "Dia dos Mortos"


Coco (no BrasilViva – A Vida é Uma Festa) é um filme musical de animação computadorizada norte-americano de 2017
Baseado numa ideia original,  conta a história de um rapaz de 12 anos, chamado Miguel Rivera, que acidentalmente é transportado para o mundo dos mortos, onde procura pela ajuda de seu tetravô músico, para que ele o leve de volta para a sua família no mundo dos vivos.
O conceito do filme é baseado no feriado mexicano de Dia dos Mortos ou dia dos féis defuntos (2 de novembro). 

Pão por Deus

O Pão Por Deus é uma tradição bem Portuguesa, mas a sua origem evolução e história até hoje é algo fascinante. Por vezes no entanto pensamos que poderá estar ameaçado por um Halloween que até poderá ter raízes longínquas partilhadas.
A globalização tem cada vez implementado mais o Halloween entre os Portugueses. O fenómeno da televisão, e mais recentemente a Internet, trazem até nós esta festividade anglo-saxónica.

As Origens Pagãs

As oferendas aos mortos nestas alturas do ano são comuns em diversas culturas pagãs, incluindo as celtas que habitaram o que é hoje Portugal.
Tendo em conta que muitas teses apontam a origem do Halloween como festividades célticas é interessante ver as semelhanças e desenvolvimento de ambos.
Também sabemos que muitas festas pagãs foram aos poucos tomando roupagens Cristãs, e a pouco e pouco se fundiram.

A Origem do Pão Por Deus Cristão

Com o passar dos anos foi cada vez mais promovido pela Igreja Católica o culto dos mortos, e a tradição de reservar lugar à mesa, e também de deixar comida para os mesmos.
Começou também o costume de deixar o primeiro pão de uma fornada nesta altura à porta da casa tapado por um pano. Seria para honrar os mortos, mas a intenção era também quem de mais pobre por ali passasse tomasse a parte física para si.
Assim este pão para os fieis defuntos começou a ter a vertente de partilha com quem necessitava.

O Terremoto de 1755

Um dos dias mais negros da história de Portugal é o de 1 de Novembro de 1755. Neste Dia de Todos os Santos, Lisboa viria a sofrer a maior catástrofe da sua história, sendo muito do país também afectado por ela.
Aí os afectados por tal tormenta foram a quem algo salvou pedir Pão Por Deus, tentando ter algo para matar a fome, aos que sobreviveram à catástrofe,
Relatos contam que nos anos seguintes nesse mesmo dia se aumentou o costume do Pão Por Deus, em jeito de celebração e agradecimento a quem tinha sobrevivido. Talvez por isso esta tradição seja tradicionalmente mais forte na região da grande Lisboa.

A Evolução até aos dias de Hoje

Com o passar dos anos progressivamente passou a ser cada vez mais um peditório das crianças. No século XX, onde os registos são mais constantes e fiáveis, começamos a ver muito o Pão Por Deus como a festa das Crianças.
Neste dia as crianças de manhã cedo iam de porta em porta a pedir o Pão Por Deus. Recebendo tradicionalmente frutos secos, romãs, pão e bolos.
Nos anos mais recentes, e mesmo contando alguns ciclos de menor fulgor, começou a ver-se cada vez mais como um dia em que as crianças pedem de porta em porta doces, sendo que ainda se continua a ver alguns frutos secos.
O saco de pano do Pão Por Deus é muito comum em todos estes registos, e nos dias que correm continua a existir, sendo que com a Internet temos visto muitos pequenos negócios a vender até versões personalizadas dos mesmos.

O Doçura ou Travessura Português

Um dos pontos de enfoque da cultura popular americana, que nos chega pela televisão e Internet, é a doçura ou travessura. É, no entanto, engraçado ver que algo semelhante existe tradicionalmente registado em Portugal.
As rimas e cantigas são normalmente descritas quando as crianças batem à porta. E em alguns casos vemos que detêm estrofes de agradecimento a quem oferta doces, mas menos simpáticas para quem não o faz.

A Cantiga Inicial

Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
À bela, bela cruz
Truz, Truz!
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho.

A resposta nas casas em que são ofertados doces.

Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.

E a resposta para quem não os dá

Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto

Variações ao longo do país

Em muitas outras regiões do país, o Pão Por Deus é celebrado. No entanto, existe ao longo do território algumas variações do mesmo.
Na Estremadura é conhecido muitas vezes como o “Bolinho”, e a tradição é dar bolos festivos especialmente confeccionados nesta época do ano.
Já nos Açores a tradição é dar estas caspiadas, que dizem lembrar a o topo de uma caveira humana, honrando assim também os mortos.
Desde a tradição céltica, passando por todas as tradições cristãs, o Pão Por Deus é neste momento uma festa do povo, e mais que tudo das crianças.
Com ou sem máscaras, com ou sem Halloween, o Pão Por Deus está para ficar, e penso até que tem voltado a crescer nos últimos anos. E é mais uma bela tradição de Portugal.

1 de novembro: festa religiosa em que se pedem os "bolinhos"


A festa do dia de Todos os Santos é celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não.
A Igreja Católica celebra este dia Santo a 1 de Novembro, seguido do dia dos fiéis defuntos a 2 de Novembro.



O dia de Todos os Santos foi instituído com o objetivo de suprir quaisquer faltas dos fiéis em recordar os santos nas celebrações das festas ao longo do ano.
Esta tradição de recordar (fazer memória) os santos está na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados como testemunho pela sua fé, realizando-se nelas orações, missas e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos, como acontecia em redor do Coliseu de Roma.
Posteriormente, tornou-se habitual erigirem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais.

O dia de Todos os Santos para todos os que nasceram fora de grandes cidades, leva-nos à memória, as crianças com uma "sacola" de pano, em grupos, indo de casa em casa nas aldeias, pedindo às pessoas, e elas a darem o que querem ou podem, como por exemplo: dinheiro, maçãs, romãs, castanhas, rebuçados, nozes, bolos, chocolates etc.

Antigamente todas as crianças dos meios rurais iam pedir os "santinhos". Normalmente as pessoas punham as mesas com o que tinham em casa (comida e bebida) e quando chegavam as crianças eles entravam e comiam à vontade e à saída ainda lhes davam alguma coisa.
Hoje já só se pedem os "santinhos" ou os "bolinhos" para não se perder a tradição. É costume neste dia, nos meios rurais as pessoas confecionarem broas de milho e outros bolos caseiros para comerem e darem.


in O Emigrante / Mundo Português

1 novembro: Dia de todos os Santos


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Eu tenho um amigo que me ama - 2º ano


Eu tenho um amigo que me ama,
Que me ama, que me ama;
Eu tenho um amigo que me ama,
   Seu nome é Jesus.
       


É um amigo que me ama,          

É um amigo que me ama,
É um amigo que me ama: É Jesus.


Tu tens um amigo que te ama

É um amigo que te ama,
É um amigo que te ama: É Jesus.

Nós temos um amigo que nos ama (...)

Nós temos uma Mãe que nos ama,
         Que nos ama, que nos ama;
Nós temos uma Mãe que nos ama,
  Seu nome é Maria.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O mapa de Fernão de Magalhães - Ensaio


Em 1517 Fernão de Magalhães chegou a Sevilha, com uma irrecusável proposta para o rei Carlos I de Espanha, futuro Imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico: demonstrar que as cobiçadas Ilhas de Maluco (as actuais Molucas), fonte do valioso cravo, se encontravam do lado espanhol do mundo, de acordo com os termos do Tratado de Tordesilhas, e que poderiam ser alcançadas navegando para ocidente.


Aquele tratado, firmado entre portugueses e espanhóis em 1494, estipulava que o mundo seria dividido entre duas áreas de influência: uma portuguesa, a oriente de uma linha norte-sul que passava 370 léguas a oeste de Cabo Verde, e uma espanhola, a ocidente dessa linha. Contudo, ninguém imaginou então que a linha divisória se prolongava para o outro lado da Terra e que a sua localização exacta na Insulíndia se tornaria fonte de conflito entre os dois países. Saber se ela passava a leste (favorável aos portugueses) ou a oeste das Molucas (favorável aos espanhóis), tornou-se um problema de Estado.

Tendo os navegadores portugueses chegado à região no início do século XVI e começado a tirar partido do comércio das especiarias, viram esta sua actividade contestada pelos espanhóis, que alegavam que as Ilhas de Maluco se situavam no seu hemisfério. Hoje sabemos, sem margem para dúvidas, que as Molucas se situavam no lado português. O que não acontecia na época, quando os métodos de navegação e posicionamento não eram suficientemente rigorosos para se estabelecer com exactidão a longitude do arquipélago.

Mostrar que Espanha tinha razão nessa disputa e encontrar uma rota alternativa para as ilhas das especiarias, a qual evitasse o hemisfério português, foi a proposta apresentada por Fernão de Magalhães a Carlos I. Assim, tendo conseguido o apoio político e financeiro de importantes individualidades próximas da coroa, um acordo com o rei foi estabelecido em 1518.

A 10 de Agosto de 1519 partiu de Sevilha uma armada formada por cinco navios e cerca de 240 homens de várias nacionalidades, que haveria de dar a volta ao mundo navegando para ocidente. Tendo conseguido dobrar a América do Sul perto do seu extremo meridional, atravessando o estreito que hoje tem o seu nome, Magalhães conduziu a armada através do imenso oceano Pacífico durante mais de três meses, até chegar ao arquipélago das Marianas. Tratou-se de um feito extraordinário do ponto de vista técnico e científico. Como bem viria a escrever Pedro Nunes cerca de 15 anos mais tarde, os feitos dos navegadores portugueses não tinham sido conseguidos “indo a acertar, mas partiam os nossos mareantes mui ensinados e providos de instrumentos e regras de astrologia e geometria”.

De facto, as missões eram cuidadosamente planeadas e executadas, e os pilotos eram instruídos nas técnicas de navegação, que incluíam os métodos astronómicos de posicionamento e a utilização das cartas náuticas. Mas a viagem não correu bem para o próprio Magalhães, morto nas Filipinas por um nativo, em Abril de 1521. Seria completada por um único navio, sob o comando de Juan Sebastian de Elcano, que regressou a Sevilha em 6 de Setembro de 1522, acompanhado de apenas 18 homens. Curiosamente, a decisão de regressar a Espanha continuando a navegar para ocidente, completando assim a circum-navegação da Terra, não estava prevista nos planos originais de Magalhães.

Trata-se esta carta, muito provavelmente, do planisfério anónimo conhecido por Kunstmann IV, de cerca de 1519, cuja caligrafia e estilo são típicos do cartógrafo português Jorge Reinel (filho de Pedro Reinel), e que alguns historiadores consideram ter sido apresentado por Fernão de Magalhães a Carlos I de Espanha, quando procurou o seu apoio para a missão. Deste planisfério apenas sobrevivem reproduções fotográficas e um fac-símile a cores, desenhado no século XIX. O original ter-se-á perdido na II Guerra Mundial, durante os bombardeamentos aliados a Munique.

O planisfério de Kunstmann IV é um mapa com uma enorme importância histórica, que haveria de constituir o modelo da cartografia náutica espanhola. Nele é representado o mundo até então conhecido pelos europeus, desde a costa oriental da China, a oriente, até às Ilhas Molucas, a ocidente. Um dos aspectos que nele mais impressiona é o grande vazio do oceano Pacífico e o facto de grande parte do Novo Mundo, ainda por explorar, não ser representado. Numa legenda colocada a sul do actual Panamá, aquele oceano é classificado como o “Mar Visto pelos Castelhanos”, numa alusão à missão de Vasco Núñez de Balboa, na qual o istmo separando o Golfo do México e o Pacífico foi atravessado, em 1513.

Pela primeira vez em cartografia náutica, a totalidade da circunferência equatorial da Terra é representada, incluindo o oceano Pacífico. Também pela primeira vez, o equador encontra-se subdividido em intervalos de um grau de longitude: 183 graus para este do meridiano de Tordesilhas e 184 graus para oeste. Poderíamos pensar que esta inovação estaria ligada ao intuito de representar as longitudes dos lugares ou a um qualquer desenvolvimento dos métodos de navegação, mas não é esse o caso. A razão mais plausível terá sido a de ilustrar que o arquipélago das Molucas se encontrava a menos de 180 graus para oeste da linha de Tordesilhas – isto é, na área de influência dos espanhóis. Se medirmos cuidadosamente a distância longitudinal, sobre o equador, entre o meridiano de Tordesilhas (onde está a escala de latitudes) e as Molucas, verificamos ser cerca de 175 graus, colocando-as dentro do hemisfério espanhol. Muito embora Pedro e Jorge Reinel conhecessem certamente a posição da coroa portuguesa nesta matéria, não será difícil entender as suas razões, já que a carta tinha sido encomendada pelos espanhóis e eles completaram-na em Sevilha.


Mas quem teria razão nesta polémica? Com a ajuda do Google Maps e de algumas medições rápidas, facilmente se verifica que a extensão longitudinal do oceano Pacífico se encontra fortemente subavaliada no planisfério de Kunstmann IV, fazendo com que a posição das Molucas esteja deslocada para oriente em mais de 1500 quilómetros! Seria esta distorção inocente? É claro que não! De facto, ela servia dois propósitos: o de colocar as Molucas do lado oriental do antemeridiano de Tordesilhas e o de tornar mais curta a distância a percorrer pelos navios espanhóis que se dirigiam às Molucas, assim fortalecendo a proposta de Magalhães. É interessante verificar como uma manipulação semelhante teria já sido utilizada por Cristóvão Colombo em 1492, quando considerou um modelo da Terra demasiado pequeno, a fim de convencer os Reis Católicos de que o trajecto para a Índia era mais curto navegando para ocidente.


Admitindo que o planisfério de Kunstmann IV é, de facto, o que foi elaborado por Jorge e Pedro Reinel, qual seria o verdadeiro propósito deste mapa? A exuberância da decoração, a forma simplificada do desenho das costas, a profusão de legendas em latim e a ausência de uma escala de distâncias mostram não se tratar de uma carta para ser utilizada a bordo, mas sim de um mapa destinado a encher o olho de um rei. Todos estes indícios apontam para a possibilidade de o planisfério de Kunstmann IV ter sido realmente desenhado a pedido de Fernão de Magalhães, para ser apresentado a Carlos I de Espanha.

Comida Kosher em Belmonte


A Jewish Telegraphic Agency fez recentemente esta reportagem sobre o mercado kosher de Belmonte, em Portugal. O repórter estava surpreendido com o interesse da população não judia pelos produtos kosher. 
É... tem coisas que só os #BneiAnussim compreendem 
A reportagem é em inglês, mas tem excertos em português também. E vale a pena também pelas imagens! 
Daqui: Shavei Israel - Português

sábado, 20 de outubro de 2018

A caixinha dourada




Há algum tempo atrás, um homem castigou a sua filha de 3 anos por desperdiçar um rolo de papel de presente dourado.

O dinheiro era pouco naqueles dias, razão pela qual o homem ficou furioso ao ver a menina a embrulhar uma caixinha com aquele papel dourado e a colocá-la debaixo da árvore de Natal.

Apesar de tudo, na manhã seguinte, a menina levou o presente ao seu pai e disse: "Isto é para ti, Papá!"

Ele sentiu-se envergonhado da sua furiosa reacção, mas voltou a "explodir" quando viu que a caixa estava vazia.

Gritou e disse: "Tu não sabes que quando se dá um presente a alguém, coloca-se alguma coisa dentro da caixa?"

A menina olhou para cima, com lágrimas nos olhos, e disse: "Oh Papá, não está vazia. Eu soprei beijinhos para dentro da caixa. Todos para ti, Papá".

O pai quase morreu de vergonha, abraçou a menina e suplicou-lhe que lhe perdoasse.

Dizem que o homem guardou a caixa dourada ao lado da sua cama por anos e, sempre que se sentia triste, chateado, deprimido, pegava na caixa e tirava um beijo imaginário, recordando o amor que a sua filha ali tinha colocado.

De uma forma simples, mas sensível, cada um de nós tem recebido uma caixinha dourada, cheia de amor incondicional e beijos dos nossos pais, filhos, irmãos e amigos...

Ninguém tem uma propriedade ou posse mais bonita que esta.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

De onde vem a delicadeza japonesa?

Da educação que os japoneses dão aos filhos.
O comportamento das crianças do Japão é muito diferente daquele que observamos no Ocidente. As crianças japonesas não têm o costume de fazer birras, chantagear os pais ou perder facilmente o controlo. E não são nem autómatos nem crianças tristes, a quem os pais aplicam uma educação autoritária e rígida.
Se repararmos com atenção, elas destacam-se pelo grande respeito que manifestam para com os outros, pela capacidade de autocontrolo e pelos gestos suaves e afáveis, seja com os adultos seja com os colegas.
A moderação e respeito pelo próximo encontram as suas raízes no enorme valor dado à família.

Os japoneses acham fundamental o relacionamento intergeracional. Para a criança japonesa, o velho (e não é preciso que seja o avô ou a avó) merece-   -lhe a maior consideração. Por sua vez, os idosos olham a criança (e não tem necessariamente que ser o seu neto) como uma pessoa em formação e por isso tratam-na com tolerância, adotando sempre uma atitude pedagógica e não julgadora.
Há um clima harmonioso entre gerações, mas este não se baseia numa troca de favores ao bom estilo ocidental “uma mão lava a outra”, mas numa  partilha de responsabilidades. Por exemplo, os avós estão dispostos a participar na educação dos netos, mas acham inconcebível que os pais não tenham tempo para os filhos e se tornem pais ausentes.

Desde tenra idade, a criança japonesa é educada para a sensibilidade. O afeto entre os membros da família é cultivado. Para que isso seja possível é preciso haver tempo de qualidade.
Tempo é um bem inegociável para as famílias japonesas. Criar laços fortes e duradouros com os filhos é fundamental para todos os pais que sabem quão fundamental é estar com os filhos, especialmente nos primeiros anos de vida.
Habituados ao afeto mútuo em família, as crianças nascidas no Japão sabem que grande parte dos seus problemas se podem resolver com uma boa conversa em família, pois todos sentem que a sua opinião é respeitada e tida em conta.
GAVB   Daqui

Já sabias?


A lei do retorno é infalível


Pode demorar, mas receberemos sempre, na medida exata, o que oferecemos. 
Costumamos achar que somos tratados injustamente ou de forma desagradável pelas pessoas que nos rodeiam. É como se estivéssemos a receber muito menos do que verdadeiramente queremos ou pensamos que merecemos. Assim, passamos a colocar a culpa do que nos ocorre tão somente nas pessoas e no mundo lá fora, o que nos impede de nos enxergarmos como sujeitos de nossas histórias, uma vez que, nessa ótica, seríamos meros joguetes nas mãos dos outros.
E, assim, vamos passando os dias a lamentar as supostas injustiças que nos vão sendo impostas, recheando as nossas amarguras com os tratamentos que julgamos descabidos por parte das pessoas que convivem connosco, sentindo-nos mal amados, mal interpretados, mal vistos e desvalorizados. Afinal, ninguém parece entender ou perceber os potenciais que possuímos, como se estivéssemos a ser subutilizados em todos os setores das nossas vidas.
Por essa razão, é que jamais poderemos fugir ao olhar para dentro de nós mesmos, analisando racionalmente o que estamos a oferecer, como nos estamos a comportar,  na forma como estamos a tratar as pessoas, nas palavras que usamos, no tom de voz que colocamos, no olhar que dirigimos ao mundo lá fora. Muitas vezes, apenas  recebemos de volta exatamente o que oferecemos...
Caso consigamos perceber a forma como as pessoas nos vêem, muito provavelmente entenderemos várias coisas que nos acontecem, tendo a consciência de que o que nos chega não é injusto e sim retorno de mesma medida. Muitas vezes, não oferecemos nada, tratamos mal as pessoas, ignorando-as e menosprezando-as, fechando-nos aos encontros, a tudo o que está fora de nós. Como é que poderão ver algo que não demonstramos? Como é que nos enxergarão, caso nos fechemos aqui dentro?
Embora exista quem não consiga fazer outra coisa que não azucrinar a vida de quem quer que seja, muitas pessoas com quem conviveremos estarão abertas a receber o nosso melhor e a fazer bom uso de tudo o que oferecemos, valorizando-nos e tratando-nos com o devido respeito. É preciso, portanto, que nos permitamos ao compartilhamento transparente das nossas verdades, para que elas nos tragam o retorno afetivo que nos enriquecerá a vida onde e com quem estivermos. Na verdade, merecemos, sempre, o que oferecemos.                            Daqui (adaptado)

Ética - Palavras para quê...

"Numa corrida de Cross-country, o queniano Abel Muttai estava a poucos metros da linha de chegada, quando se confundiu com a sinalização, pensando que já havia completado a prova. 

Logo atrás vinha o espanhol Iván Anaya, que vendo a situação começou a gritar para que o queniano ficasse atento, mas Muttai não entendia o que o colega dizia. 
O espanhol, então, o empurrou em direção à vitória. 
Um jornalista perguntou então a Iván: 
- Por que o senhor fez isso? 
- Isso o quê? 
Ele não havia entendido a pergunta - e o meu sonho é que um dia possamos ter um tipo de vida comunitária em que a pergunta feita pelo jornalista não seja mesmo entendida -, pois não pensou que houvesse outra coisa a ser feita que não aquilo que ele fez. 
- Por que o senhor deixou o queniano ganhar? 
- Eu não o deixei ganhar, ele ia ganhar. 
- Mas o senhor podia ter ganho. 
- Mas qual seria o mérito da minha vitória? Qual seria a honra dessa medalha? O que minha mãe iria achar disso?"
Mário Sérgio Cortella em "Ética e vergonha na cara".

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A mentira tem perna curta


 Costuma-se dizer que as mentiras têm pernas curtas, cabeça de pêra, pescoço comprido, corpo coberto de pêlos e os olhos tortos, que são grandes e metediças ou pequenas e mal-educadas.

   — Depende — pensava Adalgisa com os seus botões. — Podem ser isso tudo e muito mais!

   Ela era uma especialista em mentiras, das quais possuía uma colecção interminável.

   Eram tantas e tantas as suas mentiras que já não sabia onde havia de as guardar.

   No começo, ela escondia-as apenas no seu quarto: debaixo do tapete, no fundo do guarda--vestidos, atrás do aquecedor... 

   No fundo do armário, então, tinha uma prateleira repleta de frascos cheios de mentiras.

   Mas rapidamente as mentiras encheram o quarto, começando então a saltar para fora, espalhando-se pelos lugares mais impensáveis da casa. 

   Logo que uma saltava para fora, Adalgisa apressava-se a tapá-la com outra ainda mais gorda.

   Quando as mentiras começaram a sair, ela até as achava divertidas, e por isso tentou torná-las suas amigas, mas bem depressa teve de dar o dito por não dito... Não se pode confiar em mentiras!

   O problema é que as mentiras não desaparecem logo, quando é preciso, permanecendo ali, à espera do melhor momento para saltarem para fora e causarem uma desgraça! Eis a razão por que a vida de Adalgisa se estava a tornar numa verdadeira tragédia, em vez de ser uma comédia. Ela passava o tempo a vigiar e a prender todas as suas mentiras, e para isso via-se obrigada a criar novas mentiras: um círculo sem fim...

   — Adalgisa, já lavaste os dentes? — perguntava a mamã, e ela respondia: 

   — Já, mamã. E também lavei as mãos. 

   POF!

   Mal acabara de falar, eis que a mentira saltava para o ombro da mamã e, a rir-se, soprava-lhe à orelha toda a verdade.

   — Sabes, Luísa — contava Adalgisa, cheia de gozo, à sua amiga — que o meu avô tinha uma vaca chamada Celeste e que sabia falar?

   Os dois juntos chegaram a actuar nos teatros mais famosos do mundo! O meu avô era um actor famosíssimo! 

   POF!

   Aí vinha outra...

   A verdade é que Adalgisa contava as mentiras tão bem e com tanta certeza e segurança que, com o correr do tempo, até ela se convencia que aquilo que dizia era mesmo verdade. Adalgisa andava, pois, carregada de mentiras, que lhe saíam de toda a parte do corpo.

   Trazia-as nos bolsos, no meio dos cabelos, nos sapatos, agarradas aos folhos do vestido...

   E as mentiras eram verdadeiramente descaradas e arreliadoras. Sucedia, por vezes, que, durante uma aula, uma das mentiras se punha a fazer-lhe cócegas e, quando a professora exigia explicações, Adalgisa contava mais uma mentira, que juntava à sua colecção.

   Aquele dia começara como tantos outros. Ninguém poderia adivinhar o que dali a pouco iria acontecer. 

   A Senhora Gina, amiga da avó, quis saber:

   — Adalgisa, é verdade que tu dizes mentiras?

   E ela respondeu candidamente: 

   — Nunca disse uma mentira em toda a minha vida. Palavra de honra!

   Não acabara ainda de pronunciar a última palavra quando uma enorme, horrenda, nojenta mentira aparece na sala.


   Ao vê-la, Adalgisa ficou de tal modo apavorada que desatou a gritar. A mentira era tão assustadoramente grande que quase ocupava toda a sala. E Adalgisa sentia-se deveras pequena, pequenina. Desta vez, fizera uma grande asneira! Dissera uma tal mentira que nunca ninguém vira nada assim, ou antes, ninguém havia jamais imaginado coisa igual! 

   A avó e a amiga pareciam feitas de pedra. Imobilizadas no sofá, sentadas, olhavam, de boca aberta, para aquela "coisa". 

   A enorme mentira começou a mover-se pela sala. Babando-se e sujando tudo, mexia e partia cada coisa que ficava ao seu alcance. Depois, aproximou-se de Adalgisa, com ar ameaçador: o soalho tremia, a avó e a amiga também.

   Adalgisa não sabia o que havia de fazer.

   Ela abraçou com muita força o seu macaquinho de pelúcia, o Tricky, em busca de protecção. A mentira inclinou-se sobre ela. Algumas gotas de baba malcheirosa caíram no tapete. A sombra fixou Adalgisa nos olhos, rindo horrendamente, e, depois, agarrou Tricky, pronta a desfazê-lo em mil bocadinhos... 

   — NÃÃOOOOOO!!! — gritou Adalgisa — Não direi mais mentiras, prometo! — e agora era mesmo uma promessa de verdade.

   Imediatamente sentiu-se um estrondo medonho e a sala encheu-se de fumo e um cheiro nauseabundo. Da enorme mentira só restavam algumas gotas de baba nojenta sobre o tapete.


   Logo a seguir, por entre milhares de estranhos grunhidos, todas as outras mentiras começaram a correr doidamente, até que, contorcendo-se, explodiram com um POF igual àquele que se ouvia quando apareciam. 


   — Avó, diz-se que as mentiras têm as pernas curtas, mas viste como estas mentiras corriam a bom correr? 

   Avó e neta abraçaram-se, rindo, muito felizes.


Rosy Gadda Conti
A mentira tem perna curta
Maia, Edições Nova Gaia, 2003
Texto adaptado

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Fotos do Mundo

Testa a tua memória

Faz o teu presépio

Faz a tua árvore

Jogo Poluição das Águas

Jogo Eco-Cidade

Jogo Gesto Inteligente Transportes

Joga connosco e aprende!

Jogo interativo em Espanhol

Jogo "Ser Pessoa"

Os perigos do tabaco

Os perigos do tabaco
Clica, joga e aprende...

Religiões do mundo

Religiões do mundo
Jogo - Para saber mais