sábado, 5 de setembro de 2015

Palmira, antes da destruição



Os monumentos mais imponentes de Palmira datam do período greco-romano, mas há vestígios de ocupação humana que remontam ao neolítico.

FERNANDO BILÉ






Dias depois da destruição do Templo de Bel e do Templo de Baal-Shamin, arrasados pelos jihadistas, tudo o que poderá restar de uma parte considerável desta cidade-museu greco-romana de influência persa é a memória fotográfica e sentimental. Por esse motivo, o PÚBLICO pediu através das redes sociais aos seus leitores que partilhassem as fotografias das suas visitas a Palmira e publica agora os seus contributos.
Fernando Bilé, de 44 anos, visitou a Síria em 2008. Gostou tanto que regressou no ano seguinte para um périplo levantino por Bosra, Damasco, Homs, Hama, Krak des Chevaliers, Latakia e Alepo e Palmira.
“Num dia luminoso de Verão, Palmira era de uma beleza quase insuportável, talvez o mais perto que já estive da síndroma de Stendhal”, conta ao PÚBLICO.
Hoje, pensa sobretudo nos sírios comuns que conheceu “fugazmente” durante as suas viagens. “Lastimo, na idade da informação, nada saber destas pessoas, ficar para sempre sem saber, nunca vir a saber”, lamenta.
Para Robert Kuzka, professor de 42 anos em Lisboa, os livros de história fizeram com que Palmira já existisse no seu imaginário muitos anos antes de 2008, quando viajou pelo Médio Oriente.
“Percorri-a como todos os homens e mulheres de culturas, línguas e credos diferentes o fizeram. E apoderei-me dela como os impérios que a tomaram. Deixei-a intacta como todos o foram fazendo. Fiz parte dela por um dia e ela encheu-me para o resto da minha vida”, disse ao PÚBLICO.
Para Kuzka, no entanto, não são tanto os danos causados pela passagem dos extremistas por Palmira que chocam, como são os seus efeitos além-fronteiras.
“Pior do que ver Palmira desfeita é começar a ver, por causa da demência de quem a desfigurou, na Europa que construímos todos os dias, solidária, tolerante, diversa, inclusiva, erguerem-se muros”, afirma, a propósito do agravamento da crise de refugiados desencadeada pelo complexo conflito armado em curso na Síria. E deixa o desafio a quem hesita em acolher quem foge da guerra: “Recebamos os que aí vêm para daqui a uma geração serem eles a reconstruir, com os nossos valores, os territórios que lhes destruíram”.
Paulo Mendes Pinto também visitou Palmira em 2008 e cedeu ao PÚBLICO as suas memórias fotográficas, que também partilha no blogue pessoal. O professor da Universidade Lusófona recorda a necrópole romana, que à data se encontrava em notável estado de conservação e que terá sido um dos primeiros alvos dos jihadistas.
Igualmente perdidos para sempre, os relevos do Templo de Bel, de onde se destacava um cortejo de figuras femininas integralmente cobertas por vestes. O recentemente nomeado embaixador do Parlamento Mundial das Religiões nota as semelhanças entre costumes de há 2000 anos e os que os radicais tentam impor na actualidade.
David Samuel Santos passou por Palmira em 2010, um ano antes do início da guerra, numa viagem que o levou também ao Líbano, à Turquia e ao Chipre. “Nunca umas ruínas me haviam impressionado como estas”, relata o engenheiro electrotécnico de 31 anos no seu site Dobrar Fronteiras, onde disponibiliza mais de duas centenas de fotografias da cidade-museu síria.

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