segunda-feira, 12 de abril de 2010

Obesidade infantil

O que é a obesidade?

A obesidade é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afectar a saúde.
A pré-obesidade e a obesidade estão directamente relacionadas com um balanço energético positivo (a quantidade de energia ingerida é superior à quantidade de energia despendida), que resulta de um excesso de ingestão em relação aos gastos do corpo.

A obesidade tem origem em diversos factores, complexos, de ordem genética, metabólica, ambiental e comportamentais. É considerada uma doença crónica, e como tal requer esforços persistentes e continuados para ser controlada.

O diagnóstico de pré-obesidade e de obesidade é feito através do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), que de se determina dividindo o peso em quilogramas, pela altura em metros elevada ao quadrado (peso/altura2). A sua utilização fundamenta-se numa boa correlação com a massa gorda corporal. Segundo a OMS considera-se que há excesso de peso quando o IMC calculado é igual ou superior a 25 e obesidade para valores a partir de a 30.
Note-se, no entanto, que nas crianças e adolescentes, não existe um critério consensual para o diagnóstico da obesidade, devido às características dinâmicas dos seus processos de crescimento e maturação. Para além das diferentes velocidades de crescimento entre rapazes e raparigas, existe ainda uma grande variabilidade entre os indivíduos, não só entre os dois grupos como entre os elementos de cada um. Assim, o valor do IMC tem como base tabelas de referência, considerando-se que valores de IMC iguais ou superiores ao percentil 85 e inferiores ao percentil 95 permitem fazer o diagnóstico de pré-obesidade. Valores de IMC iguais ou superiores ao percentil 95 permitem fazer o diagnóstico de obesidade.
Refira-se ainda que o número de células adiposas do organismo tem um maior desenvolvimento desde o fim da infância até ao início da idade adulta.

Os dados

Estima-se que a prevalência da pré-obesidade e da obesidade, em Portugal, nas crianças dos 7 aos 9 anos de idade, é de cerca de 31,56% - as crianças do sexo feminino apresentam valores superiores às do sexo masculino.
Na União Europeia, na população com mais de 15 anos, a prevalência da pré-obesidade em 1999 foi de 41%. O aumento da obesidade em crianças e adolescentes é, também, cada vez mais preocupante. A taxa de crescimento da doença na Europa tem-se mantido constante, acrescentando 400 mil crianças por ano, aos já existentes 45 milhões de crianças com excesso de peso. Este valor é 10 vezes superior ao registado em 1970.A nível mundial, a prevalência da obesidade é tão elevada que a OMS considerou esta doença como a epidemia global do século XXI.

As consequências
A obesidade está associada ao aparecimento de várias patologias, entre as quais, nas crianças e adolescentes, a diabetes tipo 2 (Diabetes Mellitus insulino-dependente), um aumento da tensão arterial, um aumento dos níveis de triglicéridos e colesterol (LDL), bem como à diminuição do colestrol "bom" (HDL).
Está também associada ao desenvolvimento de outro tipo de sintomas e patologias como a apneia do sono e as dificuldades respiratórias, distúrbios do aparelho locomotor (como são exemplo as artrites), distúrbios hormonais, síndroma do ovário poliquístico, problemas dermatológicos, doenças cardiovasculares e algumas formas de cancro.
O cansaço fácil, a sudação excessiva e o aparecimento de dores musculares são também queixas frequentes e que diminuem o conforto e a qualidade de vida dos indivíduos obesos.
Como já foi referido, a obesidade tem origem em vários factores e pode surgir, por exemplo, associada a distúrbios endócrinos (estima-se que a obesidade endócrina seja responsável apenas por 4% das obesidades), após interrupção de exercício físico (comum em desportistas) ou, entre outros factores, devido ao uso de medicamentos como corticosteróides, antidepressivos, estrogénios, e alguns e anti-histamínicos, entre outros.
No entanto, estima-se que a grande maioria dos casos de obesidade, mais de 95%, esteja relacionada com um mau equilíbrio entre a ingestão e o consumo de calorias, ou seja, quando se consome mais em termos calóricos do que o corpo necessita para desempenhar as suas actividades – o excesso fica armazenado nas células adiposas.
Para esta situação pode contribuir uma dieta com excesso de lípidos, glícidos e de hidratos de carbono, um número reduzido de refeições, mas com um elevado aporte em calorias, o consumo em excesso e rotineiro da chamada fast-food, o consumo de bebidas com elevado valor calórico, e, por outro lado, o sedentarismo e a falta de actividade e exercício físico.

Os comportamentos e hábitos alimentares adquiridos na infância, em família e também na escola, têm uma influência fortíssima para o aparecimento (ou não) da obesidade. E não basta “ditar as regras”, há que segui-las, pois os comportamentos dos pais, avós, e irmãos mais velhos vão ser seguidos pelos mais novos.Numa sociedade que valoriza constantemente aparência física, o combate à obesidade e ao estigma a ela associada, é também uma luta pelo bem-estar mental das crianças e jovens.

Saliente-se que, associados à obesidade, surgem distúrbios psicossociais e emocionais acompanhados de depressão, ansiedade e diminuição de auto-estima. Têm origem exactamente na rejeição social, num contexto social que dá primazia à beleza física.

A prevenção e o combate

A prática de uma verdadeira prevenção, e de um tratamento precoce são essenciais para o combate à obesidade. Quanto mais cedo se instala a obesidade numa criança maior será a probabilidade de se vir a tornar num adulto obeso.
A prevenção da obesidade infantil é conseguida através da promoção de um estilo de vida assente num bom programa alimentar acompanhado de um regime de actividade física e desportiva:
As crianças não devem saltar refeições e logo de manhã é importante preparar um bom pequeno almoço, logo ao acordar, completo e equilibrado. Importa adequar a alimentação às necessidades energéticas (por exemplo, ajustada a uma prática de actividade física mais intensa, e nesse caso com uma maior necessidade energética), mantendo-se ao longo do dia uma ingestão fraccionada em pelo menos cinco refeições (pequeno-almoço, almoço e jantar e dois lanches, um a meio da manhã e outro à tarde).
A alimentação requerer-se variada e com produtos naturais em todas as refeições do dia e rica em cereais completos, fruta e produtos vegetais frescos ricos em fibras. Os vegetais são também essenciais para a sopa, a consumir ao almoço e ao jantar.
O consumo de calorias deve ser controlado em particular no que diz respeito à ingestão de açúcares/sacarose - bolos, biscoitos, bolachas - e gorduras/fritos, sobretudo os ácidos gordos saturados e colesterol, gorduras sólidas e gorduras hidrogenadas e sobreaquecidas.

Importa dar preferência ao consumo de hidratos de carbono complexos: pão completo / escuro, rico em sementes e ainda cereais, arroz e massas, de preferência completos / integrais. No que respeita à carne, a preferência deve dirigir-se para o consumo de carnes brancas (como o frango e o peru) e magras (coelho) e, por outro, lado moderar o consumo de carnes gordas (porco, borrego, cabrito) e carnes vermelhas. O peixe é essencial – sem esquecer as várias formas em que pode ser cozinhado e apresentado às crianças.

Nos cozinhados e temperos dar preferência ao consumo de azeite, bem como às ervas aromáticas e especiarias, moderando o consumo de sal.
O regime dietético deve assim ser equilibrado e nutritivo, evitando carências vitamínicas e outras que conduzam à desnutrição. Deve evitar-se o consumo de refrigerantes, preferindo água simples, chás e infusões, ou sumos naturais, sem adição de açúcar.

Refira-se ainda a importância da ingestão adequada de cálcio, uma vez que na alimentação equilibrada reduz o armazenamento da gordura – o reduzido consumo de cálcio, associado à pouca ingestão de lacticíneos, encontra-se associado ao excesso de peso.

A prevenção da cárie dentária na origem, mais tarde, de problemas de mastigação e digestão dos alimentos é também essencial através de um adequado aporte de flúor, de de uma boa higiene dentária e de um consumo reduzido de produtos açucarados.
Para os recém-nascidos de pais obesos (grandes candidatos a obesidade infantil) e com padrões alimentares ricos em calorias, a alimentação deve ser baseada exclusivamente no leite materno durante, pelo menos, os seis primeiros meses de vida. Na evolução da alimentação da criança deverá ser dada preferência ao consumo de carnes magras, legumes, frutas e muito pequenas quantidades.

Perda de peso em crianças e adolescentes obesos
São significativos os benefícios da perda de peso em indivíduos obesos ao nível, por exemplo, da tensão arterial. Uma redução em 3% no peso corporal diminui, significativamente, a tensão arterial nos adolescentes obesos, uma melhoria acentuada se o programa de emagrecimento incluir exercício físico. São também evidentes e em proporção à perda de peso, os benefícios ao nível da redução dos níveis plasmáticos de triglicerídeos e de insulina, bem como o aumento do colesterol HDL.A perda de peso em crianças e adolescentes com diabetes tipo 2, embora difícil, é mais eficaz na melhoria do controlo glicémico quando na dieta se reduz a quantidade de glícidos.

Um comentário:

Obesidade Infantil disse...

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