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quinta-feira, 23 de março de 2023

Escolhas - Sara Tavares

"Sei que posso fazer tudo,
Mas nem tudo me convém
Tenho liberdade p'ra viver
A minha vida mal ou bem.
Sei que posso fazer tudo,
Mas nem tudo me convém.
O que escolho fazer hoje
Vou vivê-lo amanhã".


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Experiência vivida por uma adolescente no MSN


Após deixar os livros no sofá ela decidiu lanchar e entrar online.
Assim, ligou-se com o seu nome de código (nick): Docinho14.
Procurou na sua lista de amigos e viu que Meteoro123 estava ligado.
Decidiu então enviou-lhe uma mensagem instantânea:

Docinho14: Oix. Que sorte estares aí! Pensei que alguém me seguia na rua hoje. Foi mesmo esquisito!
Meteoro123: Lol. Vês muita TV. Por que razão alguém te seguiria? Não moras num local seguro da cidade?
Docinho14: Com certeza. Lol. Acho que imaginei isso porque não vi ninguém quando me virei.
Meteoro123: A menos que tenhas dado o teu nome online. Não fizeste isso, pois não?
Docinho14: Claro que não. Não sou idiota, já sabes.
Meteoro123: Jogaste voleibol depois das aulas, hoje?
Docinho14: Sim e ganhámos!
Meteoro123: Óptimo! Contra quem?
Docinho14: Contra as Vespas do Colégio da Sagrada Família. Lol. Os uniformes delas são um nojo! Pareciam abelhas, Lol.
Meteoro123: Como se chama a tua equipa?
Docinho14: Somos os Gatos de Botas. Temos garras de tigres nos uniformes. São impecáveis.
Meteoro123: Jogas ao ataque?
Docinho14: Não, jogo à defesa. Olha: tenho que ir. Tenho que fazer os TPC antes que cheguem os meus pais. Xau!
Meteoro123: Falamos mais tarde. Xau.

Entretanto, Meteoro123 foi à lista de contactos e começou a pesquisar sobre o perfil dela.
Quando apareceu, copiou-o e imprimiu-o.
Pegou na caneta e anotou o que sabia de Docinho até agora.
Seu nome: Susana.
Aniversário: Janeiro 3.
Idade: 13.
Cidade onde vive: Porto.
Passatempos: voleibol, inglês, natação e passear pelas lojas.
Além desta informação sabia que vivia no centro da cidade porque lho tinha contado recentemente.
Sabia que estava sozinha até às 18.30 todas as tardes até que os pais voltassem do trabalho.
Sabia que jogava voleibol às quintas-feiras de tarde com a equipa do colégio, os Gatos de Botas.
O seu número favorito, o 4, estava estampado na sua camisola.
Sabia que estava no oitavo ano no colégio da Imaculada Conceição.
Ela tinha contado tudo em conversas online. Agora tinha informação suficiente para encontrá-la.
Susana não contou aos pais sobre o incidente ao voltar do parque. Não queria que ralhassem com ela e a impedissem de voltar dos jogos de voleibol a pé.
Os pais sempre exageram e os seus eram os piores.
Ela teria gostado não ser filha única. Talvez se tivesse irmãos, os seus pais não tivessem sido tão super protectores.
Na quinta-feira, Susana já se tinha esquecido que alguém a seguira.
O seu jogo decorria quando, de repente, sentiu que alguém a observava. Olhou e viu um homem que a observava de perto.
Estava inclinado contra a cerca na arquibancada e sorriu quando o viu. Não parecia alguém de quem temer e rapidamente desapareceu o medo que sentira.
Depois do jogo, ele sentou-se num dos bancos enquanto ela falava com o treinador.
Ela apercebeu-se do seu sorriso mais uma vez quando passou ao lado.
Ele acenou com a cabeça e ela devolveu-lhe o sorriso.
Também confirmou o seu nome nas costas da camisola. Sabia que a tinha encontrado.
Silenciosamente, caminhou a uma certa distância atrás dela.
Eram só uns quarteirões até casa dela. Quando viu onde morava voltou ao parque e entrou no carro. Agora tinha que esperar. Decidiu comer algo até que chegou a hora de ir à casa da menina. Foi a um café e sentou-se.

Mais tarde, nessa noite, Susana ouviu vozes na sala. “Susana, vem cá!”, chamou o seu pai.
Parecia perturbado e ela não imaginava porquê. Entrou na sala e viu o homem do parque no sofá. “Senta-te aí”, disse-lhe o pai, “este senhor acaba-nos de contar uma história muito Interessante sobre ti”.
Susana sentou-se. Como poderia ele contar-lhes qualquer coisa? Nunca o tinha visto senão nesse mesmo dia!
“Sabes quem eu sou?”, perguntou o homem.
“Não”, respondeu Susana.
“Sou polícia e teu amigo do Messenger - Meteoro123”.
Susana ficou pasmada. “É impossível! Meteoro123 é um rapaz da minha Idade! Tem 14 e mora em Braga!”.

O homem sorriu. “Sei que te disse tudo isso, mas não era verdade. Repara, Susana, há gente na Internet que se faz passar por miúdos; eu era um deles. Mas enquanto alguns o fazem para molestar crianças e jovens, eu sou de um grupo de pais que o faz para proteger as crianças dos malfeitores. Vim para te ensinar que é muito perigoso falar online. Contaste-me o suficiente sobre ti para eu te achar facilmente. Deste-me o nome da tua escola, da tua equipa e a posição em que jogas. O número e o teu nome na camisola fizeram com que te encontrasse facilmente.
Susana gelou. “Quer dizer que não mora em Braga?”.
Ele riu-se: “Não, moro no Porto. Sentiste-te segura achando que morava longe, não é?”

“Tenho um amigo cuja filha não teve tanta sorte: foi assassinada enquanto estava sozinha em casa. Ensinam-se as crianças e jovens a não dizer a ninguém quando estão sozinhos, porém contam isso a toda a gente pela Internet. As pessoas maldosas enganam e fazem-se passar por outras para tirar informações de aqui e de ali online. Antes de dares por isso, já lhes contaste o suficiente para que te possam achar sem que te apercebas. Espero que tenhas aprendido uma lição disto e que não o faças de novo. Conta aos outros sobre isto para que também possam estar seguros”. “Prometo que vou contar!”.

CONCLUSÃO:
Por favor, diz isto aos teus amigos de forma a que não forneçam informações sobre si próprios. O mundo em que hoje vivemos é perigoso demais.
E NÃO TE ESQUEÇAS: CUIDADO COM AS INFORMAÇÕES QUE PASSAS NO FACEBOOK, NO MSN OU OUTROS... NUNCA SABES AO CERTO QUEM ESTÁ DO OUTRO LADO...

sábado, 15 de janeiro de 2022

Jogo de Anne Frank Online



Criado por aluna de Eng. Informática - Coimbra - Catarina Martins

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Campanha Nacional Contra a Violência no Namoro, Quem te ama, não te agride!



Não esqueças,
QUEM TE AMA NÃO TE AGRIDE!


Tu podes:
- Prevenir a vitimização de jovens e a violência com base nas desigualdades de género;
- Combater a violência no namoro que afeta os elementos mais permeáveis da nossa sociedade;
- Sensibilizar jovens para as questões da igualdade de género;
- Eliminar estereótipos de género promovendo uma cultura de não-violência e cidadania participativa.

domingo, 15 de março de 2020

Tem tempo para a tua família - vídeo


O tempo passa depressa e quando nos damos conta, tudo mudou... 

Nunca esqueças: Passa mais tempo com a tua família!

quinta-feira, 28 de junho de 2018

“Estes são os 10 maiores erros que os pais cometem connosco, adolescentes”

Gonçalo Beato, 15 anos, aceitou escrever um texto em que mostra aos pais onde é que eles estão a falhar com os filhos da sua geração.

O meu nome é Gonçalo Beato, tenho 15 anos e passei este ano para o 11.º ano. Aceitei o desafio da MAGG e durante duas semanas vou tentar mostrar aos pais, em vários textos, o que vai na cabeça dos filhos adolescentes. Hoje começo com um artigo sobre o que, para mim, são os maiores erros que os nossos pais cometem na nossa educação.
1. Não nos ouvirem quando falamos dos nossos problemas
É muito comum os pais ignorarem os adolescentes quando estes tentam falar dos seus problemas com eles, o que leva a que eles muitas vezes evitem falar de qualquer coisa que os está a perturbar. Os pais podem ter esta reação porque este problema tem a ver com eles, ou eles são mesmo a origem desse problema, e por isso, para eles, é difícil aceitar que possam estar a magoar e a prejudicar o próprio filho.

2. Não ouvirem os nossos conselhos porque acham que sabem mais porque são mais velhos
Este problema está relacionado com o anterior. É muito comum os pais acharem que, por viverem há mais tempo do que os filhos, sabem mais sobre tudo. Claro que eles muitas vezes têm razão, mas é sempre melhor ouvir uma voz diferente da nossa. E eles não se podem esquecer que vivemos num mundo mais tecnológico, em que nós, adolescentes, temos um acesso muito mais facilitado a informação, por isso também conseguimos aprender coisas por nós, e ensinar-lhes coisas a eles. Por isso, nem que seja de vez em quando, eles não devem duvidar de tudo o que nós dizemos, ou acharem que sabem sempre mais sobre todos os assuntos.

3. Não nos incentivarem a ter uma alimentação mais nutritiva
Provavelmente este é o erro que menos pais cometem, mas mesmo assim ainda há muitos a fazer isto. Nós, adolescentes, precisamos de muitos nutrientes, diversificados, para crescermos de forma mais saudável, sem doenças, sem excesso de peso. E, mesmo que de forma não intencional, muitos pais não ligam muito a isto e deixam os filhos comerem o que querem. Acredito que façam isto sem terem a noção de que estão a prejudicar os filhos, mas estão. Acho que os pais deviam ser mais preocupados e exigentes com isto, e ajudar-nos a encontrar um ponto de equilíbrio entre o que gostamos de comer e o que nos faz bem à saúde.

4. Obrigarem-nos a trabalhar demasiado
Este é um problema extremamente comum a quase todos os pais. Muitas vezes, eles sentem que a única maneira de os filhos se sentirem prontos para a vida é estando constantemente a fazer algo, sejam trabalhos relacionados com a escola, tarefas domésticas ou aquelas coisas que só servem para facilitar a vida aos pais. Claro que qualquer adolescente precisa de ter tarefas no dia a dia, especialmente quando estas estão relacionadas com a escola, mas esta deve ser a única grande obrigação de qualquer adolescente. Mas nós também precisamos de aproveitar a vida nesta altura da adolescência, antes de assumirmos as responsabilidades dos adultos, de arranjarmos um emprego que nos vai ocupar o tempo e a energia todos. E é difícil aproveitarmos o nosso tempo quando temos uma quantidade enorme de tarefas para fazer.

5. Não confiarem suficientemente em nós
Isto é recorrente, e não faz sentido, sobretudo quando nós já temos idade para saber o que está certo e errado. Já aconteceu a todos os adolescentes chegarem tarde a casa e serem logo bombardeados com perguntas dos pais, que ficam logo desconfiados e a achar que fomos fazer qualquer coisa errada. Muitas vezes, só chegámos tarde porque as aulas acabaram um pouco mais tarde, ou fomos beber um café com um amigo. Outra coisa é quando pedimos aos pais para irmos a algum lado, como a casa de um amigo. É frequente dizerem que não porque não confiam em nós e acham que não somos responsáveis. Também é muito irritante quando percebemos que o nosso quarto ou a nossa mala foi revistada pelos pais, porque estão desconfiados de alguma coisa. Esta falta de confiança deles em nós também leva a que muitas vezes nós não confiemos neles.

6. Darem-nos pouca liberdade
Isto está relacionado com a falta de confiança e é uma contradição com um argumento que muitos pais usam, o de que nos estão a preparar para o mundo real. Se nos estão a preparar para quando formos adultos, então têm que nos deixar perceber que não devemos ser totalmente dependentes dos nossos pais. A melhor maneira de fazerem isto é darem-nos um pouco mais de liberdade. Obviamente que deve ser uma liberdade com limites, mas é alguma liberdade. Se estivermos a toda a hora com os pais por perto, se não pudermos fazer nada sozinhos nem tomar decisões sozinhos, o resultado pode ser o contrário daquilo que eles dizem que querem, que é o de nos prepararem para a vida real. E acho que esta atitude pode causar um distanciamento entre os adolescentes e os pais.

7. Não nos darem uma mesada ou semanada
Para os pais isto pode não parecer um grande problema, mas o que sentimos é que ao não termos dinheiro para gerir no dia a dia isso também nos limita o conhecimento do mundo dos adultos. Se passarmos a adolescência toda a pedir dinheiro aos pais para tudo e mais alguma coisa vamo-nos sentir sempre dependentes. Dar uma mesada ou uma semanada a um filho é uma maneira boa de o ensinar a gerir o seu próprio dinheiro, gerir as suas compras, e até de o fazer sentir-se mais independente e responsável.

8. Insistirem na ideia de que a escola é a coisa mais importante do mundo
Este erro está relacionado com outro, o de os pais obrigarem os filhos a terem demasiadas tarefas. Apesar de a escola ser a maior e mais importante obrigação de qualquer adolescente, os pais não se podem esquecer que a vida, enquanto não se tem um emprego, deve ser aproveitada pelos filhos. Tornar a escola no único foco dos adolescentes é torná-los mais antissociais, mais tristes, até. Por exemplo, quando um filho tem uma negativa, que é uma coisa normal que pode acontecer a qualquer aluno, muitos pais fazem disso um grande drama, como se a escola fosse a única coisa que lhes importa na vida.

9. Fazerem chantagem connosco
Este é um erro comum que os pais cometem com os filhos desde que somos pequenos, logo desde quando nos começam a dizer que não podemos comer sobremesa se não acabarmos o prato principal. E isto vai sendo cada vez pior até à adolescência. Agora, a nova estratégia de chantagem é dizer que o filho não pode usar tecnologias ou não pode sair com amigos se não fizer uma tarefa doméstica num exato momento (quando o pode fazer mais tarde) ou acabar um trabalho de casa que se tem de entregar na semana a seguir. Muitos pais pensam que a chantagem ajuda a motivar os adolescentes a trabalhar mais, e a serem mais responsáveis, mas não. Se eles não são suficientemente responsáveis para cumprir com as suas obrigações, fazer chantagem não lhes vai ensinar nada. Se o adolescente já for, por natureza, responsável, e quiser adiar uma tarefa para ir fazer algo para se divertir, este merece uma recompensa, e não a típica resposta: “Não estás a fazer nada mais do que a tua obrigação.”

10. Compararem-nos aos filhos dos outros
Para nos explicarem como se deve ser num dia a dia perfeito, muitos pais comparam-nos com os filhos dos colegas deles, ou com outros adolescentes. Esta estratégia raramente funciona. Os filhos devem ser apenas comparados com eles mesmos, mesmo sendo no passado, e compararem-nos com outras pessoas pode mesmo deixar-nos deprimidos, a achar que os pais preferiam ter outro filho. Pior: isto também pode levar a que passemos a odiar a pessoa com quem estamos a ser comparados. Por isso, vale muito mais a pena ensinar o filho como ele deve ser, em vez de usar uma pessoa como base para isso.

27/6/2018, 16:25 Daqui

terça-feira, 8 de maio de 2018

Ficha de avaliação: 7º ano


Bom trabalho!

Não te esqueças de submeter.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Jovens acham normal violência no namoro

Jovens acham normal violência no namoro


É uma conclusão no mínimo inesperada a um inquérito da Associação UMAR. Depois de inquiridos mais de 800 alunos, com idades entre os 11 e os 18 anos, a grande maioria considerou normal violência física ou psicológica entre namorados. Uma conclusão considerada alarmante pela associação de defesa das mulheres.

"Violência no namoro"


Alguns sites:







"No início está sempre tudo bem
Os beijos surgem e os presentes também
Até que surge a primeira discussão
A vítima sofre a primeira desilusão
O agressor pede perdão
A vítima perdoa, mas é tudo em vão
Torna-se prisioneiro do agressor
E cada vez é maior a dor
A vítima entra num beco sem saída
Não percebe que está a acabar com a própria vida."


Ináquia Santiago


Reportagem da RTP - Aqui

Reportagem da SIC - Amor do avesso: Aqui

Caminhada contra a violência no namoro: Aqui

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Anne Frank morreu há 70 anos. Citá-la é recordá-la

No dia em que se assinala 70 anos após o desaparecimento de Anne Frank, muitas pessoas foram para as redes sociais ler passagens de um diário que relatou não só história de uma vida, mas de uma nação.
Mais do que um nome, mais do que um livro. Não se sabe ao certo quando é que Anne Frank morreu, mas escolheu-se o 14 de abril para celebrar o 70º aniversário do seu desaparecimento, um dia antes da libertação do campo Bergen-Belsen onde a jovem escritora, então com 15 anos, viria a falecer. 

Annelies Marie Frank é uma das figuras mais conhecidas entre os cerca de 6 milhões de judeus que perderam a vida para o Holocausto.

Em vez do habitual minuto de silêncio, comummente associado à perda de figuras de impacto social, as comemorações adotaram outro formato. “Porque a voz dela não podia ser silenciada, decidimos que um minuto de silêncio não seria apropriado”, explicou Gillian Walnes, cofundador e vice-presidente da Anne Frank Trust UK, ao Guardian. “Anne Frank não podia ser silenciada. A sua voz ressoou entre gerações nos 70 anos desde que ela morreu, ela inspirou as pessoas…”, continuou Walnes.
A campanha entretanto criada pela respetiva instituição, batizada #NotSilent, propõe que as pessoas passem um minuto a ler uma passagem de O Diário de Anne Frank. O convite estende-se à publicação de um vídeo desse momento nas redes sociais com a devida hashtag. Os resultados são facilmente visíveis no Twitter, onde se encontram vídeos de diferentes intervenientes e em diferentes línguas.

Recordemos a história: Anne Frank refugiou-se num anexo do número 263 no Canal de Prinsengracht, em Amesterdão. Durante cerca de dois anos encontrou uma paz relativa num abrigo que a separava da perseguição judaica montada pelos nazis. Aí viveu até ser arrastada para um campo de concentração. Para trás ficaram as histórias que escreveu, escondidas no seu esconderijo.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Reflexão: "Lidar com um adolescente pode ser um desafio para muitos pais"

A psicóloga Maria Raul Xavier orienta os pais a gerirem melhor as relações

Atravessar a adolescência traz significativas alterações para os jovens, mas também para os próprios pais.
Que tipo de regras impôr, como gerir a influência dos amigos, como lidar com a crescente autonomia dos filhos são preocupações dos pais a que a psicóloga e docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Católica Porto, Maria Raul Xavier, responde.

Como se deve lidar com um filho adolescente? 
As novas características físicas, cognitivas e emocionais dos adolescentes levam muitas vezes os pais a interrogarem-se se estarão a lidar com um desconhecido e não com aquela criança que conheciam tão bem. Temos que nos lembrar que o filho é o mesmo e que está a passar – como é normal e desejável – por um novo estádio ou fase de desenvolvimento que corresponde às “tais” novas características que por vezes deixam os pais a suspirar… Assim, é muito difícil responder a esta questão mas posso sugerir “3 passos” para os pais: investir num sentimento de relação e na qualidade da comunicação, monitorizar os interesses e atividades do adolescente e encorajar a independência. 


Qual a melhor estratégia para impor regras?
Apesar de compreender a utilidade de identificar uma estratégia “especial” para lidar com a questão das regras, a verdade é que tal não existe. Não há dois adolescentes iguais nem pais iguais. No entanto, diversos estudos têm revelado que não é a ideia da “imposição” que apresenta maior eficácia. Quando exploramos o tema das práticas parentais, o que fomos percebendo é que o estilo mais eficaz é aquele que habitualmente descrevemos como democrático, que se caracteriza por uma relação calorosa e que implica a aceitação do outro, que sublinha a importância das regras, das normas e dos valores e em que há disponibilidade para escutar, explicar e negociar, ajudando o adolescente a construir as suas próprias ideias. Investir nestas práticas ao longo de todo o crescimento dos filhos parece ser a maneira mais eficaz de integrar as regras na dinâmica familiar, inclusivamente na adolescência. 


Quais as principais dificuldades que os pais têm em lidar com filhos adolescentes?
No trabalho desenvolvido com pais de adolescentes, uma das dificuldades que mais vezes é referida diz respeito à tarefa de lidar com alguém que é agora (muito) mais crítico e capaz de questionar o mundo em geral e os pais em particular. É um novo desafio para os pais. Gostaria de lembrar que a argumentação dos jovens é um sinal de que este está a dar passos de independência, desenvolvendo confiança com vista à autonomia e que embora isso possa tornar o ambiente familiar diferente, na verdade a família é o contexto mais protegido e mais compreensivo para este treino. 


Outra dificuldade apresentada,frequentemente em forma de “queixume”, tem a ver com o menor interesse do jovem em se envolver nas atividades familiares e no passar tempo em família. Também isto testemunha os passos de crescimento e não deverá ser visto como “conflito”. Cabe aos pais a tarefa de permitir aos filhos os momento de contato com os amigos mas ao mesmo tempo de alimentar com criatividade situações de vida familiar que garantam satisfação e sentido de pertença para todos. 

Como os pais devem aceitar o crescimento e crescente autonomia dos filhos?
Quando conversamos com pais que encontram no seu dia a dia tempo para pensar sobre as novas características dos seus adolescentes, sobre o modo como eles próprios sentem estas novidades e como estas interferem na dinâmica familiar, bem como sobre o que sentem ao ver chegar um momento da vida que antecede a independência dos filhos, percebemos como isso é útil na resposta às situações concretas – e desafiantes – que se vão colocando. Ao investir num sentimento de relação, na comunicação familiar e ao encorajar a independência, os pais estão habitualmente num processo difícil e doloroso, é verdade. Mas todos querem que os seus filhos sejam adultos felizes, autónomos e realizados, por isso vale a pena! 


Quais as principais preocupações dos pais e como as resolver?
Uma das grandes preocupações dos pais é a influência – potencialmente vista como negativa – dos grupos de pares, dos amigos. Contrariando esta visão tantas vezes pessimista, o que sabemos hoje é que os amigos desempenham um papel fundamental na adolescência, ajudando no caminho da construção da identidade. Ou seja, nas questões de decisão vocacional e futura carreira profissional, na adopção de crenças e valores próprios e também no desenvolvimento de uma identidade sexual satisfatória, atuando por vezes como grupo de autoajuda. 


Apesar de parecer que o grupo é tudo o que interessa, a família mantém-se como influência importante, sendo inclusivamente referência na escolha do grupo de amigos. E, embora existam situações em que a autoridade parental é desafiada, não é habitual que se instale um conflito de gerações com proporções marcantes. Essas situações são exceções. 


Até onde deve ir a liberdade dada?
Partindo de todas as diferenças individuais, cada família tem a sua dinâmica própria e a questão da liberdade não surge apenas na adolescência, acompanha toda a vida familiar. Penso que uma das importantes tarefas dos pais é justamente pesar a quantidade de liberdade e autonomia que possibilitam aos filhos, em cada fase do desenvolvimento, ajustando-a ao nível de maturidade que estes apresentam. Na adolescência, tal é especialmente importante pois para o adolescente este é um tema central, que provavelmente reivindicará. Assim, possibilitar o treino de maior liberdade e autonomia no sentido da responsabilização é sem dúvida uma boa estratégia se conjugada com a monitorização das atividades. Refiro-me ao saber onde está o filho, com quem, o que estão a fazer e quando estará novamente em casa. Mas sem que o pai/mãe se transformem num fiscal de controlo, a envolver-se nas suas actividades de tempo livre, conhecer os amigos, etc. 


No caso de filhos problemáticos, que conselhos pode dar aos pais?
Quando os pais e/ou os adolescentes se sentem realmente incomodados com os confrontos constantes ou se os temas recorrentes em casa disserem respeito a problemas sérios como o consumo de substancias (ilícitas ou lícitas como o álcool), depressão, violência ou comportamentos sexuais de risco, então aconselho que os pais deverão considerar o recurso a ajuda profissional especializada: o psicólogo, o médico de família ou especialista ou o enfermeiro do centro de saúde, por exemplo. 


Como se mantém a qualidade de relacionamento que se tinha quando os filhos eram crianças?
Esta é sem dúvida uma temática que preocupa os pais dos adolescentes, pois muitas vezes parece que o tipo de relação estabelecida mudou drasticamente e que nunca mais virá a ter as mesmas características. Queria recordar que o afastamento da família é importante para o desenvolvimento da identidade e autonomia do adolescente, mas que tal não deverá ser sinónimo de separação. Refiro-me sim a um distanciamento calmo e de cooperação, procurando reduzir ao mínimo o conflito verbal, mesmo sabendo que há diferenças quanto ao que pensam sobre música, vestuário ou penteados… Assim, esta cooperação e envolvimento deverá ser trabalhada com criatividade, pois a sua utilidade vai ser muita. 


A proximidade e o cuidado que este envolvimento revela têm sido associados, por exemplo, a menos comportamentos antissociais, menos problemas de consumos de substâncias. Esta proximidade deverá integrar as atividades dos tempos livres e assim, além de demonstrarem interesse e disponibilidade – que têm um impacto profundo no adolescente - os pais terão conhecimento sobre os diferentes aspetos da vida dos seus filhos sem que tal seja lido como afirmação de poder ou invasão de privacidade. Podem existir momentos de argumentação mais acesa, de confusão, de aumento de stress, mas a maior parte das famílias ultrapassa esta fase sem consequências negativas. O esforço valerá sempre a pena, sabendo que o relacionamento positivo entre os adolescentes e os seus pais prediz uma boa transição para a vida adulta. 

Por Sónia Santos Dias
http://familia.sapo.pt

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Crianças deprimidas. São cada vez mais e mais novas.

A crise, o desemprego dos pais, o stresse e a pressão de ser melhor são algumas das razões apontadas pelos especialistas para o aumento de casos. Cabe aos pais ajudar a ultrapassar.

António nunca acreditou em depressões, muito menos em crianças. Por isso, quando o filho de 15 anos começou a trancar-se no quarto depois de a namorada o ter deixado, reagiu mal. Um mês depois, quando Bruno deixou de ir à escola e de aparecer nos treinos de futebol, António decidiu adoptar uma postura ainda mais agressiva. Sem resultados: o filho parecia não se importar com nada. Uma tarde, a seguir a uma discussão, Bruno tomou uma caixa inteira de comprimidos e acabou internado no hospital. A seguir foi-lhe diagnosticada uma depressão.

Há cada vez mais crianças e adolescentes deprimidos nos consultórios dos pedopsiquiatras e psicólogos infantis e nos hospitais. Além de estar a aumentar nestas faixas etárias, a depressão manifesta-se cada vez cedo. “Se há uns anos os primeiros sintomas começavam a surgir geralmente na pré-adolescência, hoje atingem crianças com três, quatro anos”, confirma a psicóloga infantil Rita Jonet.

A culpa, acreditam os especialistas com quem o i falou, é sobretudo do clima económico e das dificuldades que as famílias atravessam. “O desemprego e os problemas dos pais levam a quadros de depressão e ansiedade nos jovens e isso tem-se reflectido nas consultas, quer no consultório quer no hospital”, admite o psiquiatra Daniel Sampaio, que trabalha com adolescentes.

O presidente da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente sublinha que, mesmo sendo muito pequenas, as crianças apercebem-se dos dramas domésticos. “Há famílias em que pai e mãe estão desempregados e não têm dinheiro, sequer, para comprar os livros escolares”, exemplifica Bilhota Xavier. Rita Jonet acrescenta que os filhos são “esponjas” que absorvem o ambiente que encontram em casa: “Pais extremamente ansiosos, preocupados, pessimistas e angustiados em relação ao futuro passam esses estados de espírito para os filhos”.

O pediatra Mário Cordeiro avisa, por outro lado, que os pais – com determinadas conversas – contribuem para o mal-estar dos filhos: “Por vezes damos uma perspectiva da vida adulta muito negra, como se fosse um corredor da morte e houvesse um determinismo de impostos, corrupção e cortes, quando a vida de adulto tem preocupações, mas também momentos felizes e deve significar, para as crianças, ser mais livre e ter mais autonomia.”

Nem só a crise explica o aumento de casos de depressão na infância e na adolescência. Bilhota Xavier realça a “grande pressão” que é colocada em cima das crianças, desde cedo, para que sejam competitivas e obtenham bons resultados – na escola e nas actividades em que participam: “As famílias conhecem as dificuldades que existem no mercado de trabalho e os números do desemprego jovem. Por isso, muitos pais colocam demasiada pressão nos filhos para que consigam tirar médias mais altas e serem sempre os melhores, de maneira garantir um bom futuro”.

Por Rosa Ramos, Jornal online i
publicado em 7 Jan 2015 - 10:00

Por que não se deve bater numa mulher - vídeo


Esta é aparentemente só mais uma experiência social, mas o facto de ser feita com crianças faz-nos questionar como nos temos educado enquanto sociedade. 

Imaginem o seguinte cenário: os meninos são colocados, individualmente, à frente de uma rapariga e, entre várias situações, lhes pedem para que lhe deem um estalo. 

Foi o que aconteceu neste vídeo e as reações espontâneas destas crianças vão fazer-nos pensar!

sábado, 22 de novembro de 2014

O grito contra a indiferença (violência no namoro)



Uma curta metragem sobre violência no namoro, feita para a aula de Psicologia. 
Não te esqueças, NAMORO VIOLENTO NÃO É AMOR !

sábado, 22 de março de 2014

A vida, um valor a cuidar...

Lançado o desafio, as vidas de algumas alunas do 7ºano:
21-03-14

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

"Pais maus" - para refletir...


Um dia, quando os meus filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva um pai, hei de dizer-lhes:

- Amei-vos o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão, e a que horas regressam a casa?

- Amei-vos o suficiente para ter insistido em que juntassem o vosso dinheiro e comprassem uma bicicleta, mesmo que eu tivesse possibilidade de a comprar.

- Amei-vos o suficiente para ter ficado em silêncio, para vos deixar descobrir que o vosso novo amigo não era boa companhia.

- Amei-vos o suficiente para vos obrigar a pagar a pastilha que “tiraram” da mercearia e dizerem ao dono: "Eu roubei isto ontem e queria pagar".

- Amei-vos o suficiente para ter ficado em pé, junto de vós, durante 2 horas, enquanto limpavam o vosso quarto (tarefa que eu teria realizado em 15 minutos).

- Amei-vos o suficiente para vos deixar ver fúria, desapontamento e lágrimas nos meus olhos.

- Amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas ações, mesmo quando as penalizações eram tão duras que me partiam o coração.

- Mais do que tudo, amei-vos o suficiente para vos dizer NÃO quando sabia que me iríeis odiar por isso.

Estou contente, venci! Porque, no final, vocês venceram também!
E, qualquer dia, quando os vossos filhos forem suficientemente crescidos para entenderem a lógica que motiva os pais, vocês hão de dizer-lhes, quando eles vos perguntarem se os vossos pais eram maus ...que sim, que éramos maus, que éramos os pais piores do mundo:

- «Os outros miúdos comiam doces ao pequeno almoço; nós tínhamos de comer cereais, ovos, tostas.

- Os outros miúdos bebiam Pepsi ao almoço e comiam batatas fritas; nós tínhamos de comer sopa, o prato e fruta. E - não vão acreditar - os nossos pais obrigavam-nos a jantar à mesa, ao contrário dos outros pais.

- Os nossos pais insistiam em saber onde nós estávamos a todas as horas. Era quase uma prisão.

- Eles tinham de saber quem eram os nossos amigos e o que fazíamos com eles.

- Eles insistiam em que lhes dissessemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.

- Nós tínhamos vergonha de admitir, mas eles violaram as leis de trabalho infantil: tínhamos de lavar a loiça, fazer as camas, lavar a roupa, aprender a cozinhar, aspirar o chão, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos cruéis. Acho que eles nem dormiam a pensar em coisas para nos mandarem fazer...

- Eles insistiam sempre connosco para lhes dizermos a verdade, apenas a verdade e toda a verdade.

- Na altura em que éramos adolescentes, eles conseguiam ler os nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.

- Os pais não deixavam os nossos amigos buzinarem para nós descermos. Tinham de subir, bater à porta, para eles os conhecerem.

- Enquanto toda a gente podia sair à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16.

- Por causa dos nossos pais, perdemos imensas experiências da adolescência.
Nenhum de nós, alguma vez, esteve envolvido em roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem foi preso por nenhum crime.
Foi tudo por causa deles.

Agora que já saímos de casa, somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "maus pais", tal como os nossos pais foram».

Deus abençoe os pais maus!
(Augusto Cury)

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