Mostrar mensagens com a etiqueta Prémios Nobel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Prémios Nobel. Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de outubro de 2023

Narges Mohammadi, prémio Nobel da Paz 2023

 O Comité do Nobel decidiu atribuir o Prémio Nobel da Paz a Narges Mohammadi, pela sua luta contra a opressão das mulheres no Irão e por promover a defesa dos direitos e das liberdades humanas.

Narges Mohammadi, foi laureada com o Nobel da Paz pela sua luta contra a opressão da mulheres no Irão. A ativista foi presa pelo regime 13 vezes, tendo sido condenada por cinco ocasiões e sentenciada a um total de 31 anos de prisão e 154 chicotadas. Mohammadi ainda está na prisão.

Em setembro de 2022, uma jovem curda, Mahsa Amini, foi morta quando se encontrava sob custódia da polícia da moralidade iraniana. O seu assassinato desencadeou as maiores manifestações políticas contra o regime teocrático do Irão, desde que este chegou ao poder em 1979. Sob o lema "Mulher - Vida - Liberdade", centenas de milhares de iranianos participaram em protestos pacíficos contra a brutalidade e a opressão das mulheres por parte das autoridades. O regime reprimiu duramente os protestos: mais de 500 manifestantes foram mortos. Milhares de pessoas ficaram feridas, incluindo muitas que ficaram cegas devido às balas de borracha disparadas pela polícia. Pelo menos 20 000 pessoas foram detidas e mantidas sob custódia.

Nos anos 90, quando era uma jovem estudante de física, Narges Mohammadi já se distinguia como defensora da igualdade e dos direitos das mulheres. Depois de concluir os seus estudos, trabalhou como engenheira e colunista em vários jornais reformistas. Em 2003, envolveu-se com o Centro de Defensores dos Direitos Humanos em Teerão, uma organização fundada por Shirin Ebadi, ex-advogada iraniana que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2003. Em 2011, Mohammadi foi detida pela primeira vez e condenada a vários anos de prisão pelos seus esforços para ajudar os ativistas encarcerados e as suas famílias.

Dois anos mais tarde, após a sua libertação sob fiança, Mohammadi dedicou-se a uma campanha contra a aplicação da pena de morte. Há muito que o Irão se encontra entre os países que executam anualmente a maior percentagem dos seus habitantes. Só desde janeiro de 2022, mais de 860 prisioneiros foram punidos com a morte no Irão.

O ativismo contra a pena de morte levou a nova detenção de Mohammadi, em 2015, e a uma sentença de mais anos atrás das grades. Quando regressou à prisão, começou a opor-se ao recurso sistemático do regime à tortura e à violência sexual contra os presos políticos, especialmente a mulheres, que é praticada nas prisões iranianas.

A vaga de protestos do ano passado tornou-se conhecida dos presos políticos detidos na célebre prisão de Evin, em Teerão. Mais uma vez, Mohammadi assumiu a liderança dea. Da prisão, manifestou o seu apoio aos manifestantes e organizou acções de solidariedade entre os seus companheiros de prisão. As autoridades prisionais responderam, impondo condições ainda mais rigorosas.

Mohammadi foi proibida de receber telefonemas e visitas. Conseguiu, no entanto, fazer passar clandestinamente um artigo que o New York Times publicou no dia do aniversário de um ano da morte de Mahsa Amini.

A mensagem era a seguinte: "Quantos mais de nós forem presos, mais fortes nos tornamos." A partir do cativeiro, Narges Mohammadi tem ajudado a garantir que os protestos não esclareçam.

Prémios Nobel já anunciados este ano de 2023:

Medicina: Atribuído a Katalin Karicó e Drew Weissman por descoberta associada às vacinas de mRNA

Física: Atribuído a Pierre Agostini, Ferenc Krausz e Anne L’Huillier por usarem laser para estudar eletrões

Química: Atribuído a três investigadores por "descoberta e síntese de pontos quânticos"

Literatura: Atribuído a Jon Fosse pela "sua inovação em peças e prosas e por dar voz aos indizíveis".

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Prémios Nobel 2021

Nobel da Medicina 2021 foi atribuído a David Julius e Ardem Patapoutian por descobertas sobre temperatura e toque
As descobertas explicaram como o calor, o frio e o toque podem iniciar sinais no nosso sistema nervoso. "Os canais identificados são importantes para muitos processos fisiológicos e condições de doença", afirmou o comitê. Mais aqui

Nobel da Física 2021 foi para os cientistas que contribuíram para modelos do aquecimento global. 
Metade do prémio é para o físico Giorgio Parisi, teórico dos sistemas complexos (à direita na foto). A outra metade foi dividida entre Syukuro Manabe e Klaus Hasselmann, por um modelo físico do clima da Terra.

Nobel da Química 2021 foi atribuído à dupla que criou uma nova forma de construir moléculas: autores da catálise orgânica assimétrica, que teve um grande impacto no desenvolvimento de medicamentos e produtos químicos menos poluentes.
Construir moléculas é uma arte difícil. Benjamin List e David MacMillan desenvolveram uma nova ferramenta precisa para a construção molecular: a organocatálise. Isso teve um grande impacto na pesquisa farmacêutica e tornou a química mais verde.   Mais aqui

Nobel da Literatura 2021 foi atribuído a Abdulrazak Gurnah "pelo olhar penetrante, intransigente e compassivo nos efeitos do colonialismo e no destino do refugiado no abismo entre as culturas e os continentes".
O prémio foi atribuído ao romancista nascido em Zanzibar [região autónoma da Tanzânia] e ativo em Inglaterra, pela sua capacidade de mergulhar de forma intransigente mas também compassiva nos efeitos do colonialismo e nos destinos dos refugiados que estão num abismo, divididos entre culturas e continentes”, justificou a Academia sueca.

O júri destaca ainda a “dedicação à verdade” notória na escrita de Abdulrazak Gurnah e a sua “aversão às simplificações”. Os romances de Gurnah são descritos, de uma forma geral, como movimentos de “afastamento de descrições estereotipadas” e obras que “despertam o nosso olhar para uma África Oriental culturalmente diversificada e desconhecida de muitos leitores de outras partes do mundo”.

Na forma como escreve sobre a experiência de refugiados, o autor tem particular atenção à “identidade e à imagem” que estes têm de si mesmos, defende ainda o júri. “As personagens dão por si em fendas entre culturas e continentes, entre uma vida que existia e uma outra vida que emerge; é um estado inseguro que não se pode nunca resolver”, aponta ainda o Comité.   Mais aqui

Nobel da Paz 2021 foi atribuído a Maria Ressa e Dmitry Muratov pelos seus esforços para salvaguardar a liberdade de expressão, que é uma pré-condição para a democracia e a paz duradoura. 
Estes jornalistas receberam o Prémio da Paz pela sua corajosa luta pela liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia. 
Ao mesmo tempo, são representantes de todos os jornalistas que defendem esse ideal num mundo em que a democracia e a liberdade de imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas.   Mais aqui

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Prémios Nobel 2019

O prémio Nobel da Medicina foi atribuído a três cientistas pelas descobertas sobre a forma como as células se adaptam às diferenças de oxigénio.
São eles: o pediatra Gregg L. Semenza, da Universidade de Hopkins,  nascido em Nova Iorque, em 1955; Sir Peter J. Ratcliffe, da Universidade de Oxford, nascido em Lacashirem, em 1954,  perito em nefrologia, e William G. Kaelin Jr, especialista em medicina interna e oncologia, de Harvard.
"A importância fundamental do oxigénio é conhecida há séculos, mas o processo de adaptação das células às variações dos níveis de oxigénio era um mistério", acrescentou. O trabalho destes investigadores, estabeleceu a base para entender como os níveis de oxigénio afetam o metabolismo celular e a função fisiológica, o que "abre caminho para o desenvolvimento de novas estratégias para combater a anemia, o cancro e muitas outras doenças", prossegue a explicação da do Instituto Karolinska.  Daqui

Três cientistas: James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz dividem o Nobel de Física por descoberta de exoplaneta e avanços na cosmologia.


Peebles, de origem canadense-americana e professor da Universidade de Princeton (EUA), foi prestigiado aos 84 anos pelo trabalho teórico desenvolvido ao longo de duas décadas que fundamentou a concepção moderna da história do Universo, desde o chamado Big Bang até o presente.

Peebles previu a descoberta da chamada radiação cósmica de fundo, uma das evidências mais fortes de que o Big Bang de facto ocorreu. A radiação cósmica de fundo consiste de ondas eletromagnéticas na frequência de micro-ondas que permeiam todo o espaço e datam de uma época em que o Universo tinha apenas 400 mil anos. Hoje, o cosmos tem 13,8 bilhões de anos.

Não bastasse a radiação cósmica de fundo, Peebles também ajudou a formular a base teórica para postular a existência da chamada matéria escura, que compõe 85% da matéria do Universo, apesar de não se saber ainda exatamente o que ela é. A existência da matéria escura foi inferida a partir da movimentação de corpos e estruturas celestes, porque ela interage por meio da gravidade, apesar de não emitir radiação que possa ser capturada por telescópios.

EXOPLANETAS - Em 1995, diferentes grupos de cientistas já tentavam detectar planetas fora do sistema solar usando um método para medir a chamada velocidade radial das estrelas. A ideia consiste em detectar a oscilação da luz estelar provocada pela perturbação gravitacional que a estrela sofre ao interagir com o planeta.

Mayor e Queloz foram os primeiros a conseguir projetar e acoplar a um telescópio um instrumento de detecção sensível o suficiente para tal, e relataram a observação de um planeta em torno da estrela 51 Pegasi, na constelação do Pégaso.
A descoberta dos primeiros exoplanetas foi considerada importante pelo Comitê do Nobel também pela implicação filosófica de deslocar, mais uma vez, a existência da humanidade de uma posição especial no Universo. 
A prova de que outros planetas existem longe do Sol reforça muito a tese de que o Universo abriga vida em outros cantos, e de que o surgimento de outras criaturas inteligentes é estatisticamente provável.
Um potencial objeto de controvérsia na concessão do Nobel de Física deste ano é que, a rigor, o planeta descoberto por Mayor e Queloz em Pegasi b não foi o primeiro a ser encontrado fora do Sistema Solar.    Daqui

O prémio Nobel da Química 2019 vai para um mundo recarregável", confirmando assim como vencedora uma das áreas que era uma das favoritas para o Nobel da Química este ano: o desenvolvimento das baterias de iões de lítio, que contêm a promessa de um mundo energeticamente mais verde.
Este é um piscar de olhos à nova era das energias renováveis e aos veículos elétricos que deverão em breve inundar o mercado, e também a confirmação de que o problema das alterações climáticas continua vivo, no topo da agenda internacional.
Os premiados são John B. Goodenough, M. Stanley Whittingham e Akira Yoshino. "O seu trabalho teve um impacto social enorme", diz a Academia sueca.

Os prémios Nobel da Literatura de 2018 e 2019 foram atribuídos aos escritores Olga Tokarczuk e Peter Handke, respetivamente.
A escolha para 2018 recaiu sobre a polaca de 57 anos, vencedora do Man Booker Prize International no ano passado, pela sua “imaginação narrativa, que com uma paixão enciclopédica representa o cruzamento de fronteiras como forma de vida”. O júri descreveu-a como uma escritora que está preocupada “com a vida local”, mas que “olha para a Terra de cima”. “O seu trabalho está repleto de inteligência e astúcia.”
Já a atribuição do Nobel da Literatura de 2019 ao austríaco Peter Handke, de 76 anos, foi justificada pelo seu “trabalho influente de engenharia literária” e pela sua capacidade de “explorar a periferia e a especificidade da experiência humana”. Daqui
O primeiro-ministro etíope ganhou o 100.º Nobel da Paz pelos seus esforços para “alcançar a paz e a cooperação internacional” com os acordos de paz com a Eritreia.

Abeba prometeu retirar as suas tropas da região de Badme (que passou a reconhecer como território eritreu​) e Asmara concedeu o acesso aos seus portos no Mar Vermelho.
“Ainda que haja muito trabalho a fazer na Etiópia”, Abiy Ahmed Ali​ “começou reforças importantes que deram a muitos cidadãos esperança numa vida melhor": desde que assumiu o cargo, em Abril de 2018, passou vários meses “a tentar alcançar a amnistia” de vários presos políticos; legalizou grupos opositores, lutou para acabar com o estado de emergência no país; acabou com a censura dos meios de comunicação; promoveu a paz social e aumentou a importância do papel das mulheres na Etiópia, continuou o comité que atribui os prémios Nobel.
Numa primeira reacção, o gabinete do primeiro-ministro etíope mostrou-se “orgulho como Nação” por ser distinguido com este prémio e instou “todos os etíopes e amigos da Etiópia a continuarem do lado da paz”. Daqui
Economistas vencem o prémio Nobel da Economia pelos seus contributos no campo da economia do desenvolvimento, nomeadamente pela utilização de métodos experimentais para estudar quais as melhores políticas de alívio da pobreza.

Os três laureados têm desenvolvido o seu trabalho no campo da economia do desenvolvimento e o prémio foi atribuído, como explicou a Real Academia Sueca das Ciências, pelos métodos inovadores utilizados para analisar quais as melhores políticas para o alívio da pobreza. Michael Kremer nos anos 1990 e, mais tarde, Abhijit Banerjee e Esther Duflo (que são casados), os três trabalhando muitas vezes em parceria, adoptaram métodos experimentais para obterem respostas mais fiáveis a uma questão onde muitas vezes os economistas têm falhado: qual a melhor forma de retirar o maior número de pessoas possível de uma situação de pobreza extrema? Daqui

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

De escrava de 'jihadistas' a Prémio Nobel da Paz: A incrível história de Nadia Murad

Nadia Murad, com 25 anos, sobreviveu à tortura e escravidão sexual pelo Estado Islâmico e é hoje uma porta-voz do seu povo, os yazidis iraquianos. Agora, divide o Nobel da Paz com o médico congolês Denis Mukwege.

Uma jovem com um rosto magro e pálido emoldurado por longos cabelos castanhos, Nadia Murad poderia ter passado dias tranquilos na sua aldeia de Kosho, perto do bastião yazidi de Sinjar (norte do Iraque), uma área montanhosa junto às fronteiras do Iraque e da Síria.
Mas o avanço dos grupos 'jihadistas' do Estado Islâmico (EI), em 2014, decidiu o contrário.
Em agosto desse ano, combatentes do EI irromperam pela localidade, mataram os homens, transformaram os mais jovens em crianças-soldado e sentenciaram milhares de mulheres ao trabalho forçado e à escravidão sexual.
Ainda hoje, Nadia Murad - tal como a sua amiga Lamia Haji Bachar, com quem ganhou o Prémio Sakharov 2016 do Parlamento Europeu - continua a repetir que mais de 3.000 yazidies ainda estão desaparecidos, provavelmente ainda em cativeiro.
Os 'jihadistas' queriam "ter a nossa honra, mas perderam a sua honra", disse aos eurodeputados, quando foi nomeada "embaixadora da ONU para a dignidade das vítimas do tráfico de seres humanos".
Nadia Murad viveu este tráfico na primeira pessoa, conduzida à força para Mossul, então a "capital" iraquiana do autoproclamado "califado" do EI - e que há cerca de um ano foi recuperada pelas forças iraquianas.
Foi torturada, vítima de violação coletiva, vendida e revendida em mercados 'jihadistas' de escravos e forçada a negar a sua religião.
Para os combatentes do EI, que têm uma interpretação ultra rigorosa do islão, os yazidis são hereges.
Como milhares de outras yazidies, Nadia Murad foi "casada" à força com um 'jihadista' que a espancou, disse ela num discurso perante o Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque.
"Incapaz de suportar tanta violação e violência", nas suas próprias palavras, conseguiu fugir com a ajuda de uma família muçulmana de Mossul.
Com documentos de identidade falsos, conseguiu chegar a um campo de refugiados no Curdistão iraquiano, a poucas dezenas de quilómetros a leste de Mossul.
Aí, depois de saber da morte de seis de seus irmãos e da sua mãe, ela contactou uma organização de ajuda a yazidis para encontrar uma irmã na Alemanha.
Na Alemanha, onde ainda vive, despertou para a militância e tornou-se na porta-voz do seu povo, que tinha 550 mil membros no Iraque, antes de 2014. Hoje, quase 100.000 deles deixaram o país e outros estão deslocados no Curdistão.
Murad tem como objetivo que a comunidade internacional reconheça as perseguições cometidas em 2014 como um genocídio, contando com a ajuda da advogada e ativista de direitos humanos libanesa-britânica Amal Clooney.
Há um ano, após o seu apelo, o Conselho de Segurança da ONU prometeu ajudar o Iraque a reunir as provas dos crimes cometidos contra os yazidis.
Nadia Murad e Denis Mukwege estão a trabalhar para "acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra", justificou o comité que atribui o Nobel.
in Visão  05.10.2018 às 14h42

Prémios Nobel 2018

MEDICINA
O Prémio Nobel da Medicina ou Fisiologia de 2018 foi atribuído aos investigadores James P. Allison e Tasuku Honjo pelas descobertas relacionadas com o papel do sistema imunitário na luta contra o cancro, anunciou esta segunda-feira o comité do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia). O prémio tem um valor de nove milhões de coroas suecas (cerca de 871 mil euros). 
“O Prémio Nobel deste ano assinala um marco na luta contra o cancro”, anunciou o comité do Nobel esta segunda-feira, acrescentando que as investigações dos dois laureados representam uma mudança de paradigma. “É um princípio totalmente novo. Neste caso, em vez de ter como alvo as células cancerosas, estas abordagens usam os travões das células do nosso sistema imunitário para travar o cancro.” A descoberta feita pelos dois laureados do Nobel da Medicina aproveita assim a capacidade do nosso sistema imunitário de atacar as células cancerosas estimulando-o e bloqueando os “travões” das células do sistema imunitário, os linfócitos T. Com esta “avaria” dos travões, o sistema imunitário acelera-se, investindo rapidamente nas células cancerosas. 


FÍSICA

O Prémio Nobel da Física de 2018 foi atribuído a três investigadores sobre os seus trabalhos na física dos lasers – anunciou esta terça-feira de manhã a Real Academia Sueca das Ciências em Estocolmo. Metade do prémio, no valor monetário de nove milhões de coroas suecas, ou 866 mil euros, vai para o norte-americano Arthur Ashkin e a outra metade para o francês Gérard Mourou e a canadiana Donna Strickland. No anúncio, o comité resumiu que o prémio vai para “as ferramentas feitas de luz” ou, na justificação mais formal, para “invenções revolucionárias no campo da física dos lasers”. 

QUÍMICA
O Prémio Nobel da Química de 2018 foi atribuído à norte-americana Frances H. Arnold e, a outra metade, ao norte-americano George P. Smith e ao britânico Gregory P. Winter, anunciou esta quarta-feira o comité do Nobel no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia). O prémio tem um valor de nove milhões de coroas suecas (cerca de 871 mil euros). “Os laureados de Química deste ano assumiram o controlo da evolução e usaram os mesmos princípios – mudança genética e selecção – para desenvolver proteínas que resolvem os problemas químicos da humanidade.” 
“Os métodos que os premiados desenvolveram servem para promover uma indústria química mais verde, produzir novos materiais, fabricar biocombustíveis sustentáveis, tratar doenças e, assim, salvar vidas”, referiu o comité do Nobel.

LITERATURA
(cancelado e não entregue este ano)

PAZ
 A atribuição do Prémio Nobel da Paz a dois dos mais destacados activistas contra a violação sexual em contexto de guerra vem trazer alguma luz para uma das dimensões menos conhecidas, mas igualmente atroz, dos conflitos em todo o mundo. O Comité Norueguês do Nobel decidiu atribuir o galardão a Nadia Murad, uma iraquiana yazidi que foi raptada e escravizada pelo Daesh, e a Denis Mukwege, um médico congolês que operou dezenas de milhares de mulheres violadas de forma bárbara.

“Cada um deles contribuiu à sua maneira para dar maior visibilidade à violência sexual em tempo de guerra para que os seus responsáveis respondam pelas suas acções”, justificou o comité quando apresentou o prémio. "Nadia é a testemunha que denuncia os abusos cometidos contra si e outras", afirmou a porta-voz do Comité Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen. Mukwege tornou-se no "símbolo mais unificador da luta para acabar com a violência sexual nas guerras".


A escolha mereceu elogios consensuais por parte de dirigentes políticos e activistas de direitos humanos em todo o mundo. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que a atribuição deste Nobel da Paz integra um “movimento crescente que reconhece a violência e as injustiças” contra mulheres e crianças em todo o mundo. Os dois premiados, declarou Guterres, “ao defenderem as vítimas de violência sexual nos conflitos, estão a defender os nossos valores partilhados”.

                                                                      in Jornal Público

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Parabéns, Madiba!

Defensor da igualdade e da liberdade, o mais carismático líder sul-africano de sempre continua a inspirar milhares de pessoas em todo o mundo. Muitas recordam-no anualmente a 18 de julho.
Nelson Rolihlahla Mandela, o político sul-africano que se tornou na figura maior da luta anti-apartheid, morreu a 5 de dezembro de 2013 mas as frases sábias que deixou como legado continuam a fazer sentido num mundo que volta a ser marcado por ataques racistas, por acusações veladas e por manipulações sociais que nos fazem, muitas vezes, crer que somos mais livres do que na realidade somos. Estas são 15 das suas declarações públicas mais inspiradoras:
1. «É sempre impossível, até estar feito».
2. «A educação é a mais poderosa arma que temos para conseguir mudar o mundo».
3.  «É mais inteligente persuadir as pessoas a fazer coisas e depois levá-las a crer que foram elas que tiveram a ideia».
4. «Uma boa cabeça e um bom coração são sempre uma combinação formidável».
5. «Eu aprendi que a coragem não é a ausência de medo mas, sim, o triunfo sobre ele. Um homem corajoso não é o que não tem medo. É aquele que o consegue ultrapassar».
6. «É melhor liderar na sombra e colocar outros no lugar da frente, sobretudo quando se celebram vitórias e coisas boas. Só devemos assumir a liderança quando há perigo. Nessa altura, as pessoas conseguirão valorizá-la».
7. «Depois de subirmos a uma grande montanha, apenas descobrimos que há muitas mais para escalar».
8. «As pessoas reagem em consonância com o modo como lidamos com elas. Se as tratarmos com violência, elas responderão de um modo violento».
9. «Ser livre não é viver sem amarras. É viver de uma forma que respeita e que promove a liberdade dos outros».
10. «Se quiser fazer as pazes com um inimigo, terá de trabalhar com ele. Nessa altura, ele passará a ser um parceiro».
11. «Quando a globalização, como muitas vezes sucede, faz com que os ricos e poderosos apenas tenham novos meios de aumentar a sua riqueza e o seu poder, temos a responsabilidade de protestar em nome da liberdade universal».
12. «O dinheiro não cria o sucesso. A liberdade é que o fará».
13. «Mesmo que tenha uma doença terminal, não se deve sentar nem baixar os braços. Deve aproveitar a vida e desafiar o problema de saúde que tem».
14. «Não há nada como regressar a um lugar que se mantém inalterado para descobrir até que ponto é que nós mudámos».
15. «Nunca posso admitir que sou corajoso e que posso derrotar o resto do mundo».
Celebração anual
Anualmente, desde 2009, a 18 de julho, assinala-se o Dia Internacional Nelson Mandela - Pela liberdade, justiça e democracia. Uma comemoração internacional instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em novembro desse ano. O dia escolhido pretende recordar a data de nascimento do líder sul-africano. Em 2016, se ainda fosse vivo, Madiba, alcunha por que era muitas vezes tratado, faria 98 anos.
Texto: Luis Batista Gonçalves com Patrice Murdiano (pintura)    Daqui

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O corpo jaz, mas o sonho não. Martin Luther King em sete discursos

Se não há sujeito antes de ação, (quase) não há Martin Luther King antes dos discursos. O primeiro fez com 26 anos, depois de Rosa Parks decidir não se levantar. A partir daqui, perde-se a conta aos lugares que foram palco das suas ideias. Só no ano 1957 fez 218 discursos. Fazemos uma seleção de 7 para marcar os 50 anos da morte de um nome incontornável pela luta dos direitos humanos.
O corpo jaz, mas o sonho não. Martin Luther King em sete discursos
Ainda o ano era imberbe quando nasceu Michael King Jr. No dia 15 de janeiro de 1929, o casal Michael King Sr. e Alberta Williams King têm então o segundo filho, depois de Alberta Williams King.
A infância de Michael King Jr. corria na área rural de Georgia, na companhia da irmã mais velha e do irmão mais novo — Alfred Daniel Williams King. O seu avô materno era encarregado da pequena igreja batista Ebenezer, que tinha cerca de 13 membros. O pai de Michael — Michael King Sr. — tornou-se pastor após a morte do sogro, em 1931. Mais tarde, adotou o nome de Martin Luther King Sr, em homenagem ao líder religioso protestante alemão Martin Luther.
Do pai, Michael King Jr. recebia os ideais de resistência, do fim da segregação e do preconceito racial, que era considerada, na família, uma afronta à vontade de Deus. Discurso a discurso, ensinamento em ensinamento foi-se regando a semente do ativismo de Michael King Jr, que mais tarde daria nova vida e forma ao nome que o pai adotara.
Com 5 anos, entrou para a escola pública. Estudou, mais tarde, na Brooker T. Washington High School, onde era conhecido por ser um “aluno precoce”. Transitou do 9º para o 12º diretamente, conseguindo ingressar no curso de Sociologia na Morehouse College, em Atlanta, com apenas 15 anos, em 1944. Tornou-se “valedictorian”, isto é, porta-voz da turma — um título académico de extraordinária importância destinado aos alunos com as classificações mais altas.
Contudo, não só de conquistas se fez a infância e adolescência de Luther King; com 12 anos a sua avó Jennie morreu de ataque cardíaco, o que levou o pequeno King a saltar de uma janela do segundo andar da casa da família. Felizmente, não ficou ferido.
Anos mais tarde, durante o seu doutoramento, conhece Coretta Scott na New England Conservatory School, em Boston. Em 1953 casam-se. Tiveram quatro filhos: Yolanda, Martin Luther King III, Exter Scott e Bernice. Embora na sua infância tenha questionado a religião e contrariado a devoção, para ele, exagerada, nesta altura decide tornar-se pastor da Igreja Batista Dexter Avenue, em Montgomery, Alabama. Em 1955, com 25 anos de idade, acaba o doutoramento.
Coretta Scott King e Martin Luther King em dezembro de 1964
Coretta Scott King e Martin Luther King em dezembro de 1964 / créditos AFP
Dia 2 de março de 1955 uma rapariga de 15 anos recusou-se a levantar do seu lugar no autocarro para que um homem branco se pudesse sentar, na cidade de Montgomery. Claudette Colvin foi presa por violar a lei local. A secção local da NAACP — Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor — considerou que esta seria uma oportunidade para mobilizar a comunidade a desafiar a política de segregação dos transportes públicos. Porém, Claudette estava grávida e os líderes dos direitos civis temiam que a gravidez pudesse chocar a comunidade negra, profundamente religiosa na altura.
Na noite de 1 de dezembro de 1955, Rosa Parks, de 44 anos, apanhava o autocarro na avenida Cleveland, no centro da cidade de Montgomery. Sentou-se na primeira fila, reservada para negros. Sem lugares por ocupar, o motorista, James F. Blake, notou que duas ou três pessoas brancas estavam em pé. Exigiu, então, que os passageiros negros sentados se levantassem para dar o seu lugar aos brancos. Todos o fizeram, menos Rosa Parks.
Parks foi presa e acusada de violar o capítulo 6, secção 11 da lei de segregação da cidade de Montgomery, apesar de tecnicamente nem se ter sentado num lugar reservado a brancos. A fiança foi paga pelo presidente da sede local do NAACP, Edgar Nixon.
King, Nixon, Jo Ann Robinson e outros ativistas decidiram usar o caso de Parks para chamar a atenção para a segregação racial nos Estados Unidos. No dia 4 de dezembro, foi convocado um boicote aos autocarros de Montgomery. As mais de 40 mil pessoas que andavam de autocarro prosseguiram com o boicote durante 381 dias. Foi nesta altura que Luther King Jr. se destacou, tendo proferido o seu primeiro discurso enquanto membro do grupo NAACP:
“Não temos alternativa a não ser protestar. Durante muitos anos temos mostrado uma paciência incrível. Às vezes, temos dado aos nossos irmãos brancos a sensação de que gostamos da forma como somos tratados. Mas nós viemos aqui, esta noite, para sermos salvos da paciência que nos faz pacientes com qualquer coisa menos com a liberdade e a justiça”.
Em 1956, o Supremo Tribunal suspendeu a lei que determinava a segregação racial nos transportes públicos.
Depois da vitória, os líderes dos direitos civis afro-americanos reconhecem a necessidade de uma organização nacional em prol das suas causas. Em janeiro de 1957, Martin Luther King. Jr, Ralph Abernathy e 60 ministros da igreja e ativistas dos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), aproveitando a autoridade moral e o poder organizador das “black churches”, as igrejas que eram compostas pela comunidade afro-americana. Tendo como primeira bandeira o direito ao voto, em fevereiro de 1958, a SCLC organizou mais de 20 reuniões nas principais cidades do sul para registar eleitores negros.
Com um enorme respeito pela doutrina da não violência, Martin Luther King fazia dos discursos a sua mais poderosa arma — em 1957 fez 218 discursos. Apoiante da doutrina de Gandhi — chegando a visitar a sua casa na Índia —, os primeiros anos de ativismo de King foram acompanhados por Bayard Rustin, ativista que tinha estudado os ensinamentos do fundador do moderno estado indiano.
Bayard era um dos grandes conselheiros de King, tendo sido o organizador da Marcha em Washington pelo Trabalho e pela Liberdade, em 1963. Ativista, homossexual e com “supostas” ligações ao partido Comunista. Com a visão curta e nublada, a maior das pessoas não estava preparada para encarar Bayard. Os apoiantes de King acabaram por pedir o seu afastamento.
Em 1960, King ganhava maior notoriedade nacional. Regressou a Atlanta para se tornar co-pastor com o seu pai na igreja Ebenezer. Foi precisamente aqui que, anos mais tarde — 4 de fevereiro de 1968 — fez um dos discursos mais repetidos hoje em dia.
"Todos nós temos o instinto maior do rufar dos tambores (...) A grande questão da vida é domar este instinto. É um bom instinto, se tu não o distorceres ou o perverteres. Não desistas. Continua a sentir a necessidade de ser importante (...) Mas quero que tu sejas o primeiro no amor. Quero que tu sejas o primeiro em integridade moral. Quero que tu seja o primeiro em generosidade".
Embora a ligação íntima com a igreja Ebenezer, os passos no caminho dos direitos humanos não abrandaram. No dia 19 de outubro, em Atlanta, King e 75 estudantes entraram numa loja, e pediram serviço de almoço, que lhes foi negado. Quando se recusaram a deixar aquela área do balcão, King e outros 36 foram presos. Todos acabam por ser libertados, uma vez que o presidente de Atlanta receava que o incidente pudesse prejudicar a reputação da cidade.
Mais tarde, King é preso por violar a sua liberdade condicional com uma condenação de trânsito. A notícia do seu encarceramento fez parte da campanha presidencial em 1960, quando o candidato John F. Kennedy telefonou para Coretta Scott King. Kennedy expressou a sua preocupação pelo tratamento severo que King enfrentava, pela multa de trânsito e pela pressão política. King foi libertado.
Em 1963, Luther King e vários ativistas pelos direitos humanos começam a esquadrinhar a realização de uma grande manifestação na capital do país. Acontece assim, no dia 28 de agosto desse ano, a marcha em Washington pelo Trabalho e pela Liberdade que levou mais de 200 mil pessoas ao memorial Lincoln. Foi nesta marcha que aconteceu o mítico discurso “I have a Dream”.
"Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado da sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados de forma igual.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão sentar-se juntos na mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississipi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho que as minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver numa nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!"
Martin Luther King na marcha de Washington, de 28 de agosto de 1963
créditos: AFP PHOTO/FILES / AFP PHOTO / FILES / -
A mobilização popular, a crescente onda de agitação dos direitos civis levam a que, em 1964, a Lei dos Direitos Civis fosse aprovada. O Governo Federal autoriza o fim da segregação em espaços públicos. No mesmo ano, Martin Luther King. Jr ganha o Nobel. No dia 10 de dezembro, em Oslo, faz o discurso de receção do prémio:
"Creio que a verdade desarmada e o amor incondicional terão a última palavra na realidade. É por isso que o bem temporariamente derrotado é mais forte que o mal triunfante".
Coretta Scott King e Martin Luther King em dezembro de 1964
Coretta Scott King e Martin Luther King em dezembro de 1964 / créditos AFP
No dia 7 de março de 1965, a marcha pelos direitos civis, que começava em Selma e estendia-se até Montgomery, foi marcada pela violência dos policias, que atacaram os manifestantes com cassetetes e gás lacrimogéneo quando eles passavam a ponte Edmund Pettus. Dezassete manifestantes foram hospitalizados, fazendo com que este domingo ficasse conhecimento como o “Domingo Sangrento”.
Com uma ordem de restrição que impedia a realização de marchas, King tenta uma nova abordagem. No dia 9 de março de 1965, decorre uma procissão de 2.500 manifestantes que atravessa novamente a ponte Pettus. Em vez de forçar um confronto com a polícia, King pede aos seus seguidores que se ajoelhem em oração e voltem para trás.
O governador de Alabama, George Wallace, continuava a tentar evitar a realização de marchas, até o presidente Lyndon Johnson ordenar que o Exército dos EUA e a Guarda Nacional do Alabama protegessem os manifestantes.
No dia 21 de março, começa a marcha de 5 dias, que parte de Selma até Montgomery com 2.000 participantes. No dia 25, 25 mil pessoas reúnem-se em frente ao capitólio, onde King proferiu o discurso:
“Disseram que nós não chegaríamos aqui. E houve quem dissesse que nós só chegaríamos aqui por cima dos seus cadáveres. Mas o mundo inteiro hoje sabe que nós estamos aqui e que estamos de pé diante das forças do poder no estado de Alabama, ao dizer. 'Não vamos deixar ninguém fazer com que voltemos atrás'”.
Coretta Scott King e Martin Luther King em dezembro de 1964
Coretta Scott King e Martin Luther King em dezembro de 1964 / créditos AFP
5 meses depois do histórico protesto pacífico, o presidente Johnson assinou a Lei dos Direitos de Voto em 1965.
Entre 1965 e 1967, King visita outras cidades americanas, como Chicago e Los Angeles. Para além de falar de racismo e discriminação, King começa a fazer referências à conduta do governo relativamente ao envio de homens para a guerra do Vietname, considerando que os mais pobres eram os que mais sofriam. No dia 30 de abril de 1967, em Nova Iorque, na Riverside Church, King sublinha a sua oposição à guerra:
"Eu oponho-me à Guerra do Vietname, porque eu amo os Estados Unidos. Eu pronuncio-me contra esta guerra, não com revolta, mas sim com angústia e tristeza no meu coração, e principalmente com um desejo apaixonado de ver o nosso querido país a ser o exemplo moral do mundo. Falo contra esta guerra, porque estou dececionado com os Estados Unidos, e não pode haver uma grande deceção quando não há um grande amor".
Coretta Scott King e Martin Luther King em dezembro de 1964
Coretta Scott King e Martin Luther King em dezembro de 1964 / créditos AFP
Nos últimos anos de vida, Luther King esteve sob escuta telefónica, por parte do FBI, e controlado pelos serviços secretos.
No dia 3 de abril de 1968, King estava em Memphis para apoiar a greve dos trabalhadores dos serviços sanitários. No templo do bispo Charles Mason King diz que não teme nenhum homem.
“Não sei o que vai acontecer agora, se virão dias difíceis. Mas não importa, porque estamos no cimo da montanha. Como qualquer um eu gostava de viver uma vida longa. A longevidade tem o seu lugar. Mas agora isso não me preocupa. Quero apenas fazer a vontade de Deus. E Ele permitiu-me subir a montanha e olhar e vi a Terra Prometida. Pode ser que não chegue lá com vocês mas quero que saibam que, como povo, chegaremos à Terra prometida. Por isso estou feliz esta noite. Nada me preocupa. Não temo nenhum homem. Os meus olhos viram a glória do Senhor”.
No dia seguinte, na varanda do quarto 306 do Lorraine Hotel, de Memphis, Martin Luther King foi morto, às seis da tarde, pelos tiros do supremacista branco James Earl Ray. Tinha 39 anos. O corpo jazeu, mas o sonho não.

Religiões do mundo

Religiões do mundo
Jogo - Para saber mais

Clica na imagem

Clica na imagem
Fotos do Mundo

Etiquetas