segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
domingo, 8 de outubro de 2023
Narges Mohammadi, prémio Nobel da Paz 2023
Narges Mohammadi, foi laureada com o Nobel da Paz pela sua luta contra a opressão da mulheres no Irão. A ativista foi presa pelo regime 13 vezes, tendo sido condenada por cinco ocasiões e sentenciada a um total de 31 anos de prisão e 154 chicotadas. Mohammadi ainda está na prisão.
Em setembro de 2022, uma jovem curda, Mahsa Amini, foi morta quando se encontrava sob custódia da polícia da moralidade iraniana. O seu assassinato desencadeou as maiores manifestações políticas contra o regime teocrático do Irão, desde que este chegou ao poder em 1979. Sob o lema "Mulher - Vida - Liberdade", centenas de milhares de iranianos participaram em protestos pacíficos contra a brutalidade e a opressão das mulheres por parte das autoridades. O regime reprimiu duramente os protestos: mais de 500 manifestantes foram mortos. Milhares de pessoas ficaram feridas, incluindo muitas que ficaram cegas devido às balas de borracha disparadas pela polícia. Pelo menos 20 000 pessoas foram detidas e mantidas sob custódia.
Nos anos 90, quando era uma jovem estudante de física, Narges Mohammadi já se distinguia como defensora da igualdade e dos direitos das mulheres. Depois de concluir os seus estudos, trabalhou como engenheira e colunista em vários jornais reformistas. Em 2003, envolveu-se com o Centro de Defensores dos Direitos Humanos em Teerão, uma organização fundada por Shirin Ebadi, ex-advogada iraniana que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2003. Em 2011, Mohammadi foi detida pela primeira vez e condenada a vários anos de prisão pelos seus esforços para ajudar os ativistas encarcerados e as suas famílias.
Dois anos mais tarde, após a sua libertação sob fiança, Mohammadi dedicou-se a uma campanha contra a aplicação da pena de morte. Há muito que o Irão se encontra entre os países que executam anualmente a maior percentagem dos seus habitantes. Só desde janeiro de 2022, mais de 860 prisioneiros foram punidos com a morte no Irão.
O ativismo contra a pena de morte levou a nova detenção de Mohammadi, em 2015, e a uma sentença de mais anos atrás das grades. Quando regressou à prisão, começou a opor-se ao recurso sistemático do regime à tortura e à violência sexual contra os presos políticos, especialmente a mulheres, que é praticada nas prisões iranianas.
A vaga de protestos do ano passado tornou-se conhecida dos presos políticos detidos na célebre prisão de Evin, em Teerão. Mais uma vez, Mohammadi assumiu a liderança dea. Da prisão, manifestou o seu apoio aos manifestantes e organizou acções de solidariedade entre os seus companheiros de prisão. As autoridades prisionais responderam, impondo condições ainda mais rigorosas.
Mohammadi foi proibida de receber telefonemas e visitas. Conseguiu, no entanto, fazer passar clandestinamente um artigo que o New York Times publicou no dia do aniversário de um ano da morte de Mahsa Amini.
A mensagem era a seguinte: "Quantos mais de nós forem presos, mais fortes nos tornamos." A partir do cativeiro, Narges Mohammadi tem ajudado a garantir que os protestos não esclareçam.
Prémios Nobel já anunciados este ano de 2023:
Medicina: Atribuído a Katalin Karicó e Drew Weissman por descoberta associada às vacinas de mRNA
Física: Atribuído a Pierre Agostini, Ferenc Krausz e Anne L’Huillier por usarem laser para estudar eletrões
Química: Atribuído a três investigadores por "descoberta e síntese de pontos quânticos"
Literatura: Atribuído a Jon Fosse pela "sua inovação em peças e prosas e por dar voz aos indizíveis".
sexta-feira, 8 de outubro de 2021
Prémios Nobel 2021
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
Prémios Nobel 2019
Três cientistas: James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz dividem o Nobel de Física por descoberta de exoplaneta e avanços na cosmologia.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
De escrava de 'jihadistas' a Prémio Nobel da Paz: A incrível história de Nadia Murad
Nadia Murad, com 25 anos, sobreviveu à tortura e escravidão sexual pelo Estado Islâmico e é hoje uma porta-voz do seu povo, os yazidis iraquianos. Agora, divide o Nobel da Paz com o médico congolês Denis Mukwege.
Uma jovem com um rosto magro e pálido emoldurado por longos cabelos castanhos, Nadia Murad poderia ter passado dias tranquilos na sua aldeia de Kosho, perto do bastião yazidi de Sinjar (norte do Iraque), uma área montanhosa junto às fronteiras do Iraque e da Síria.
Mas o avanço dos grupos 'jihadistas' do Estado Islâmico (EI), em 2014, decidiu o contrário.
Em agosto desse ano, combatentes do EI irromperam pela localidade, mataram os homens, transformaram os mais jovens em crianças-soldado e sentenciaram milhares de mulheres ao trabalho forçado e à escravidão sexual.
Ainda hoje, Nadia Murad - tal como a sua amiga Lamia Haji Bachar, com quem ganhou o Prémio Sakharov 2016 do Parlamento Europeu - continua a repetir que mais de 3.000 yazidies ainda estão desaparecidos, provavelmente ainda em cativeiro.
Os 'jihadistas' queriam "ter a nossa honra, mas perderam a sua honra", disse aos eurodeputados, quando foi nomeada "embaixadora da ONU para a dignidade das vítimas do tráfico de seres humanos".
Nadia Murad viveu este tráfico na primeira pessoa, conduzida à força para Mossul, então a "capital" iraquiana do autoproclamado "califado" do EI - e que há cerca de um ano foi recuperada pelas forças iraquianas.
Foi torturada, vítima de violação coletiva, vendida e revendida em mercados 'jihadistas' de escravos e forçada a negar a sua religião.
Para os combatentes do EI, que têm uma interpretação ultra rigorosa do islão, os yazidis são hereges.
Como milhares de outras yazidies, Nadia Murad foi "casada" à força com um 'jihadista' que a espancou, disse ela num discurso perante o Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque.
"Incapaz de suportar tanta violação e violência", nas suas próprias palavras, conseguiu fugir com a ajuda de uma família muçulmana de Mossul.
Com documentos de identidade falsos, conseguiu chegar a um campo de refugiados no Curdistão iraquiano, a poucas dezenas de quilómetros a leste de Mossul.
Aí, depois de saber da morte de seis de seus irmãos e da sua mãe, ela contactou uma organização de ajuda a yazidis para encontrar uma irmã na Alemanha.
Na Alemanha, onde ainda vive, despertou para a militância e tornou-se na porta-voz do seu povo, que tinha 550 mil membros no Iraque, antes de 2014. Hoje, quase 100.000 deles deixaram o país e outros estão deslocados no Curdistão.
Murad tem como objetivo que a comunidade internacional reconheça as perseguições cometidas em 2014 como um genocídio, contando com a ajuda da advogada e ativista de direitos humanos libanesa-britânica Amal Clooney.
Há um ano, após o seu apelo, o Conselho de Segurança da ONU prometeu ajudar o Iraque a reunir as provas dos crimes cometidos contra os yazidis.
Nadia Murad e Denis Mukwege estão a trabalhar para "acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra", justificou o comité que atribui o Nobel.
in Visão 05.10.2018 às 14h42
Prémios Nobel 2018
FÍSICA
A atribuição do Prémio Nobel da Paz a dois dos mais destacados activistas contra a violação sexual em contexto de guerra vem trazer alguma luz para uma das dimensões menos conhecidas, mas igualmente atroz, dos conflitos em todo o mundo. O Comité Norueguês do Nobel decidiu atribuir o galardão a Nadia Murad, uma iraquiana yazidi que foi raptada e escravizada pelo Daesh, e a Denis Mukwege, um médico congolês que operou dezenas de milhares de mulheres violadas de forma bárbara.
“Cada um deles contribuiu à sua maneira para dar maior visibilidade à violência sexual em tempo de guerra para que os seus responsáveis respondam pelas suas acções”, justificou o comité quando apresentou o prémio. "Nadia é a testemunha que denuncia os abusos cometidos contra si e outras", afirmou a porta-voz do Comité Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen. Mukwege tornou-se no "símbolo mais unificador da luta para acabar com a violência sexual nas guerras".
A escolha mereceu elogios consensuais por parte de dirigentes políticos e activistas de direitos humanos em todo o mundo. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que a atribuição deste Nobel da Paz integra um “movimento crescente que reconhece a violência e as injustiças” contra mulheres e crianças em todo o mundo. Os dois premiados, declarou Guterres, “ao defenderem as vítimas de violência sexual nos conflitos, estão a defender os nossos valores partilhados”.
quarta-feira, 18 de julho de 2018
Parabéns, Madiba!
quarta-feira, 4 de abril de 2018
O corpo jaz, mas o sonho não. Martin Luther King em sete discursos
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