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sábado, 25 de abril de 2026
25 de abril de 1974 - vídeos explicativos
Este episódio conta, muito sinteticamente, a história do 25 de abril, em Portugal. Explica o clima político, económico e social que se vivia durante o estado novo e como e por que é que se deu a revolução dos cravos.
No 25 de Abril de 1974, um grupo de militares derrubou a ditadura em Portugal e devolveu a liberdade à população. Num minuto fica a saber como funcionava o Estado Novo e o que aconteceu no dia da revolução.
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quarta-feira, 15 de abril de 2026
quarta-feira, 11 de junho de 2025
Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas - Atividades
imagem da internet
Luís Vaz de Camões (Lisboa, c. 1524 – Lisboa, 10 de junho de 1579 ou 1580) foi um poeta nacional de Portugal, considerado uma das maiores figuras da literatura lusófona e um dos grandes poetas da tradição ocidental.
2.º ano - EB1 n.º3
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025
sábado, 20 de abril de 2024
O genocídio de Lisboa
Esta produção cinematográfica documental, de acesso livre para fins culturais ou académicos, relata um massacre contra os judeus que ficou esquecido na história. Dezanove de Abril, marca mais um aniversário do início do massacre que, durante três dias, assassinou mais de três mil judeus em Lisboa. As fogueiras tinham a altura de casas, numa cidade repleta de corpos esquartejados e onde eram desfiladas cabeças na ponta de lanças. Este documentário é breve na sua duração, tem apenas 20 minutos para abranger uma vasta audiência - incluindo jovens, mesmo aqueles que prescindem de assistir a longas metragens. O guião foi realizado pelo Centro de Investigação Histórica da Comunidade Judaica do Porto e revisto pela Cátedra de Estudos Sefarditas "Alberto Benveniste" da Universidade de Lisboa.
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quarta-feira, 7 de junho de 2023
10 de Junho, dia de Portugal

É a razão de este ser o Dia de Portugal, chamado oficialmente Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Este poeta foi uma das pessoas que mais elogiou as aventuras heróicas dos nossos antepassados! Ele próprio era um grande aventureiro! Clica aqui e descobre mais sobre as aventuras de Luís de Camões!
2) Sabias que, há bastantes anos, o 10 de Junho era chamado o «Dia da Raça»?
«Raça» lusitana, ou seja, todos os que são portugueses, tanto os que estão em Portugal como os que vivem por todo o mundo!
Nessa época, falava-se muito de heroísmo e orgulho na nação. Na justa medida, são elementos importantes para manter uma cultura e um sentimento patriótico.
Mas repara: patriotismo não se deve confundir com nacionalismo. Neste último, os sentimentos positivos de pertença a um país (patriotismo) tornam-se negativos e o acha-se que o próprio país é «superior» a todos os outros... Isso pode ser mau...
3) Sabias que a nossa língua é a 7ª mais falada do mundo? E olha que existem milhares de línguas e dialectos!
Mas não é só Camões que representa o nosso país.
Existem outros símbolos nacionais que nos representam e que também têm história:
- a bandeira nacional;
- o hino nacional;
- a moeda nacional (até à chegada do euro);
- e a língua portuguesa!
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segunda-feira, 6 de junho de 2022
sábado, 23 de abril de 2022
História do 25 de abril de 1974
Na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, Lisboa assistiu a um movimento militar inusual.
Homens e veículos avançam, através da noite, pela capital do império e vão ocupando, sem resistência visível, vários alvos estratégicos, com o objectivo de derrubar o regime vigente.
História do 25 de Abril de 1974
Os militares golpistas, auto denominados Movimento das Forças Armadas – MFA – são comandados, secretamente, a partir do Quartel da Pontinha, em Lisboa, por Otelo Saraiva de Carvalho, um dos principais impulsionadores da ação.
A par das movimentações em Lisboa no 25 de Abril de 1974, também no Porto os militares tomam posições. São ocupados o Quartel-General da Região Militar do Porto, o Aeroporto de Pedras Rubras e as instalações da RTP na cidade invicta.
Aos homens da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandados por Salgueiro Maia, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço e dos ministérios ali instalados. A coluna de blindados vindos da cidade ribatejana chega a Lisboa ainda o dia não tinha despontado, ocupa posições frente ao Tejo e controla, sem problemas, aquela importante zona da capital.
Mais tarde Salgueiro Maia desloca parte das suas tropas para o Quartel do Carmo onde está o chefe do governo, Marcelo Caetano, que acaba por se render no final do dia com apenas uma exigência: entregar as responsabilidades de governação ao General António Spínola, oficial que não pertencia ao MFA, para que “o poder não caía nas ruas”. O Presidente do Conselho, que anos antes tinha sucedido a Salazar no poder, é transportado para a Madeira e daí enviado para o exílio no Brasil.
Ao longo do dia 25 de Abril de 1974, os revoltosos foram tomando outros objetivos militares e civis e, pese embora tenham existido algumas situações tensas entre as forças fiéis ao regime e as tropas que desencadearam o golpe, a verdade é que não houve notícia de qualquer confronto armado nas ruas de Lisboa.
O único derramamento de sangue teve lugar à porta das instalações da PIDE (Polícia de Investigação e Defesa do Estado) onde um grupo de cidadãos se manifestava contra os abusos daquela organização e alguns dos agentes que se encontravam no interior abriram fogo, atingindo mortalmente quatro populares. Podemos concluir que o 25 de Abril de 1974 foi um golpe relativamente pacifico.
Por detrás dos acontecimentos do 25 de Abril de 1974 estão mais de 40 anos de um regime autoritário, que governava em ditadura e fazia uso de todos os meios ao seu alcance para reprimir as tentativas de transição para um estado de direito democrático.
A censura, a PIDE e a Legião e a Mocidade Portuguesas são alguns exemplos do que os cidadãos tinham de enfrentar no seu dia-a-dia. Por outro lado, a pobreza, a fome e a falta de oportunidades para um futuro melhor, frutos do isolamento a que o país estava votado há décadas, provocaram um fluxo de emigração que agravava, cada vez mais, as fracas condições da economia nacional.
Mas a gota de água que terá despoletado a ação revolucionária dos militares que, durante tantos anos tinham apoiado e ajudado a manter o regime, foi a guerra colonial em África. Com três frentes abertas em outros tantos países, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, os militares portugueses, passada mais de uma década, começavam a olhar para o conflito como uma causa perdida.
Internacionalmente o país era pressionado para acabar com a guerra e permitir a auto-determinação das populações das colónias. A falta de armas nas forças portuguesas era proporcional ao aumento de meios dos movimentos independentistas. Os soldados portugueses morriam às centenas a milhares de quilómetros de casa.
Todos estes fatores contribuíram para um descontentamento crescente entre as forças armadas, sobretudo entre os oficiais de patentes inferiores, o que levou à organização e concretização de um golpe militar contra o regime do Estado Novo.
25 de Abril de 1974 ficará, para sempre, na história como o dia em que Portugal deu os seus primeiros passos em direção à democracia. O 25 de Abril de 1974 ficou para sempre marcado na Histoŕia de Portugal.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2020
1 de Dezembro: RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA
Depois da morte do Rei D. Manuel, O Venturoso, sucedeu-lhe o seu neto D. Sebastião, com apenas três anos. Durante este tempo de menoridade do pequeno rei, o governo foi entregue à sua mãe D. Catarina e, mais tarde, ao tio-avô cardeal D. Henrique.
D. Sebastião com apenas 14 anos, em 1568, assumiu, o nosso governo. Era, porém, um rei ambicioso desejoso de viver momentos heróicos.
Com um poderoso exército de 17 000 homens, tentou conquistar o Norte de África.
Em 1578, o pequeno Rei morreu na batalha de Alcácer Quibir e com ele 7000 homens do seu poderoso exército. O seu corpo nunca foi encontrado.
D. Sebastião morreu sem sucessores.
Sucedeu-lhe o seu tio-avô cardeal D. Henrique, mas, já com muita idade, morreu em 1580, também sem sucessores.
Ao trono, apresentaram-se alguns dos netos de D. Manuel: D. Filipe, II rei de Espanha, D. António Prior do Crato e Dª. Catarina, Duquesa de Bragança eram, pois, os principais sucessores.
Depois de muitas batalhas, foi aclamado em 1581 nas cortes de Tomar D. Filipe II, Rei de Portugal.
Fez várias promessas:
Manter a língua, os costumes e a moeda dos portugueses;
Entregar aos portugueses os cargos todos os cargos de governo de Portugal;
Guardar as riquezas de Portugal.
D. Filipe II até pode ter cumprido as promessas, mas os seus sucessores (Filipe III, Filipe IV) não as cumpriram.
Portugal era obrigado a combater nas batalhas que não eram suas, contra os países europeus mais ricos (Inglaterra, França e Holanda), enquanto estes se ocupavam dos nossos territórios ultramarinos.
Os reis espanhóis passavam cada vez mais pesados impostos.
Os portugueses estavam a ficar fartos disto, por isso começaram a aparecer motins populares por todo o país.
Então, na manhã de 1 de Dezembro de 1640, um grupo de portugueses entrou no Paço da Ribeira, derrotaram a vice-rainha a duquesa de Mântua e mataram o escrivão e traidor do reino Miguel de Vasconcelos.
Aclamaram D. João VI, neto de Dª. Catarina, rei de Portugal.
E assim os portugueses conseguiram o que pretenderam durante 60 anos: ter um reino independente com um rei português!
Adaptado do Livro de História do 6ºano
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terça-feira, 9 de junho de 2020
10 de Junho: Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

As origens do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades na perspectiva de Conceição Meireles, especialista em História Contemporânea de Portugal.
Após a Implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, foram desenvolvidos trabalhos legislativos, “e logo em 12 de Outubro saiu um decreto que estipulou os feriados nacionais”. Alguns feriados “desapareceram, nomeadamente os ditos feriados religiosos, uma vez que o objectivo da República era justamente laicizar a sociedade e subtraí-la à influência da igreja”, explica Conceição Meireles, professora de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
“Os feriados que ficaram consignados por este decreto de 12 de Outubro de 1910 foram o Primeiro de Janeiro, que era o dia da Fraternidade Universal; o 31 de Janeiro, que evocava a revolução – aliás, falhada - do Porto, e que portanto era consagrado aos mártires da República; o 5 de Outubro, vocacionado para louvar os heróis da República; o Primeiro de Dezembro, que era o Dia da Autonomia e o Dia da Bandeira; e o 25 de Dezembro, que passou a ser considerado o Dia da Família, tentando também laicizar essa festa religiosa que era o Natal”.
O decreto de 12 de Junho dava “aos municípios e concelhos a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Daí a origem dos feriados municipais”, lembra a especialista. “Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões”, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta que escreveu “Os Lusíadas”.
E porquê um dia em honra de Camões?
Após a Implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, foram desenvolvidos trabalhos legislativos, “e logo em 12 de Outubro saiu um decreto que estipulou os feriados nacionais”. Alguns feriados “desapareceram, nomeadamente os ditos feriados religiosos, uma vez que o objectivo da República era justamente laicizar a sociedade e subtraí-la à influência da igreja”, explica Conceição Meireles, professora de História Contemporânea na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
“Os feriados que ficaram consignados por este decreto de 12 de Outubro de 1910 foram o Primeiro de Janeiro, que era o dia da Fraternidade Universal; o 31 de Janeiro, que evocava a revolução – aliás, falhada - do Porto, e que portanto era consagrado aos mártires da República; o 5 de Outubro, vocacionado para louvar os heróis da República; o Primeiro de Dezembro, que era o Dia da Autonomia e o Dia da Bandeira; e o 25 de Dezembro, que passou a ser considerado o Dia da Família, tentando também laicizar essa festa religiosa que era o Natal”.
O decreto de 12 de Junho dava “aos municípios e concelhos a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais e municipais. Daí a origem dos feriados municipais”, lembra a especialista. “Lisboa escolheu para feriado municipal o 10 de Junho, em honra de Camões”, uma vez que a data é apontada como sendo a da morte do poeta que escreveu “Os Lusíadas”.
E porquê um dia em honra de Camões?
Camões representava justamente o génio da pátria, representava Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e mais genial”. Era essencialmente este o significado que os republicanos atribuíam ao 10 de Junho, isto “apesar de ser um feriado exclusivamente municipal no tempo da República”, lembra Conceição Meireles.
Com o 10 de Junho, “os republicanos de Lisboa tentaram evocar a jornada gloriosa que tinham sido as comemorações camonianas de 1880, uma das primeiras manifestações das massas republicanas em plena monarquia”.
A três dias do Santo António...
O 10 de Junho “fica muito próximo da festa religiosa que é o 13 de Junho, ou seja, o dia de Santo António, essa sim tradicionalmente feita e realizada em Lisboa”. Conceição Meireles refere que, com essa proximidade de datas, “os Republicanos tentaram de certa forma esbater o 13 de Junho, Dia de Santo António, em favor do 10 de Junho, Dia de Camões”.
O 10 de Junho no Estado Novo
“O 10 de Junho começou a ser particularmente exaltado com o Estado Novo”, um regime instituído em Portugal em 1933, sob a direcção de António de Oliveira Salazar. É nesta altura que o dia de Camões passa a ser festejado a nível nacional. A generalização dessas comemorações deve-se bastante à reprodução que vai sendo feita “através dos meios de comunicação social”, explica Conceição Meireles.
“Durante o Estado Novo, o 10 de Junho continuava a ser o Dia de Camões”. O regime procurou dar alguma continuidade “a muitos aspectos que vinham da República”. Ou seja, “apropriou-se de determinados heróis da República, mas não no sentido positivista, não no sentido laico que os Republicanos lhe queriam dar”. O Estado Novo ampliou alguns desses aspectos “num sentido nacionalista e de comemoração colectiva histórica, numa vertente comemorativista e propagandística”.
Artigo de Ana Correia Costa, in Jornalismo Porto.net http://jpn.icicom.up.pt/2004/06/09/o_10_de_junho_nasce_com_a_republica.html
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sábado, 10 de junho de 2017
quinta-feira, 27 de abril de 2017
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Encontrada carta de Aristides de Sousa Mendes para o Papa
O cônsul português Aristides de Sousa Mendes que, na Segunda Guerra Mundial salvou a vida de milhares de refugiados contrariando ordens de Lisboa, escreveu uma carta ao Papa, mas nunca teve resposta. Uma cópia da carta foi agora descoberta por um neto e entregue ao Papa.
Daqui 04.12.2013
Carta de Sousa Mendes chega ao Papa 67 anos depois
A carta remonta a 10 de Maio de 1946 e é dirigida ao Papa Pio XII. Nela, Aristides Sousa Mendes explica a razão de ter salvo os refugiados e pede uma palavra de conforto e um gesto de apoio de Sua Santidade.
"Era preciso desobedecer às ordens draconianas de Salazar mas 'cumpria a lei de Cristo'", escreve o cônsul português na carta endereçada ao cardeal Magela tendo como destinatário final o Papa Pio XII.
A cópia em papel químico da carta foi descoberta no ano passado por um dos 39 netos de Aristides. Encontrava-se num dossier com correspondência da família e supostamente terá seguido por intermédio do patriarcado de Lisboa mas nunca foi obtida resposta.
Na missiva, Aristides descrevia a situação em que se encontrava por ter passado vistos a cerca de 30 mil judeus refugiados, "logo que foi conhecida em Lisboa a minha ousadia fui destituído do meu posto e severamente castigado por Salazar para satisfação da disciplina e, como ele próprio declarou, duma reclamação de Hitler, o anti-Cristo".
Explicou ainda que tudo era do conhecimento do Cardeal Patriarca Manuel Cerejeira e do Núncio Apostólico em Lisboa. "Não há remédio para uma situação destas? Não haverá maneira de fazer justiça a quem não duvidou sacrificar-se (...) provocando os aplausos gerais pela sua atitude humanitária e acolhedora?", pergunta Aristides Sousa Mendes na carta.
A viver em situação aflitiva, Sousa Mendes pedia "misericórdia para quem não quis senão cumprir as palavras divinas e assim foi favorável aos judeus por amor a Jesus Cristo".
Em declarações à SIC, o neto de Aristides, António Moncada de Sousa Mendes, revela que "ele procurava que pelo menos o poder espiritual lhe dissesse que agiu como um verdadeiro cristão que era a grande preocupação dele".
Sem resposta, o cônsul enviou uma segunda carta um mês depois onde insistia por uma palavra do Papa, "se não andei mal em salvar os judeus das garras do anti-Cristo, faça-me Vossa Eminência a caridade de mo dizer (...) para que eu possa proclamar aos meus filhos o bem e a justiça da minha conduta para que eles possam orgulhar-se de seu pai que só quis cumprir a lei de Deus e seguir a sua consciência, como sempre".
O neto explica que este parágrafo levou a decidir que "um dia" iria fazer com "que esta carta chegasse ao Papa". Assim, as cópias em papel químico das cartas foram esta semana entregues ao secretário pessoal do Papa Francisco.
"Espero verdadeiramente que o Papa Francisco dirija uma palavra quando tiver tempo e disponibilidade para nós e para os familiares, é uma consolação espiritual", conclui António Moncada de Sousa Mendes. Daqui
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quarta-feira, 5 de outubro de 2016
A mulher invulgar que deu o rosto à República
Em 1910, uma jovem de 16 anos serviu de modelo para o Rosto da República ao escultor Simões de Almeida, sempre sob o olhar atento da mãe. Chamava-se Hilda Puga e a sua vida foi plena de aventuras.
O Expresso contou a história de uma mulher invulgar, que sobreviveu a dois cancros, esteve casada dois meses, foi rica mas teve tornar-se costureira para sobreviver e morreu no dia em que celebrou 101 anos.
ROSTO DA REPÚBLICA. No atelier do escultor Simões de Almeida, Hilda Puga posou duas horas por dia, durante um mês, na presença da mãe. Apesar de ter ficado em 2º lugar no concurso da Câmara Municipal de Lisboa, esta imagem do busto foi a mais divulgada e comercializada. FOTOS CORTESIA DA FAMÍLIA PUGA
Até 1970, Hilda Puga andava nos bolsos de todos os portugueses. Era dela o rosto das moedas de 5 escudos e de 50 centavos, fruto do serviço patriótico que prestou muitos anos antes, quando a República foi instaurada, em 1910. Ela, que "até era profundamente monárquica, muito católica e reacionária", recorda o neto, Nuno Maia, 50 anos, "aceitou o pedido do escultor Simões de Almeida por amor ao país." Hilda tinha 16 anos, e trabalhava numa camisaria na R. Augusta, na Baixa de Lisboa. Estava a fazer uma entrega quando se cruzou com o escultor, que lhe achou graça e a convidou para ser sua modelo.
EFÍGIE. O rosto das moedas de 50 centavos e de 5 escudos, que circularam até 1970, era o de Ilda Puga
Como Hilda era menor de idade, Simões de Almeida teve de pedir autorização à mãe dela, que lhe impôs duas condições: a primeira, ela própria teria de estar presente nas sessões - que duraram duas horas, durante um mês; e a segunda era que a filha teria de posar vestida. Foi esta, aliás, a razão que levou Hilda Puga a só falar abertamente deste episódio depois dos 90 anos... É que o busto de Simões de Almeida mostra uma mulher de amplo decote, e Hilda jura "que só tinha desabotoado um botão da camisa..."
16 anos Esta foi a idade com que a jovem lisboeta posou para o escultor Simões de Almeida, que participaria no concurso para o busto da República
Este poderia ser um episódio de relevo na vida de muita gente, mas para Hilda foi apenas um numa vida cheia de aventuras e reviravoltas. Nas primeiras está, por exemplo, uma viagem de barco de meses até ao Amazonas. Nas reviravoltas da vida estão a perda do pai e a passagem de menina rica a costureira.
DE LISBOA PARA BELÉM DO PARÁ
O pai de Hilda, Tomás Garcia Puga, era um homem abastado, proprietário da fábrica de tijolos da praça de Touros do Campo Pequeno (Lisboa). Apaixonou-se pela empregada, com quem viveu a vida toda e de quem viria a ter cinco filhos – mas o ato de amor custou-lhe o corte de relações com a família de origem, que nunca aceitou uma união tida como "inferior". Um revés nos negócios obrigou Tomás Puga a vender a fábrica. Atraído pelo Eldorado da borracha no Novo Mundo, em finais do século XIX, ruma a Iquitos, na Amazónia peruana, onde ergue um armazém geral. A vida corre bem, tanto que, passados poucos anos, Tomás chama a família toda. Numa longa viagem de mais de três meses, de "vapor, barco e piroga", Hilda, a mãe e os quatro irmãos rumam de Lisboa até Belém do Pará.
FAMÍLIA PUGA. Em 1890, a família toda reencontra-se em Iquitos, na Amazónia. O pai, a mãe, Hilda, as três irmãs e o irmão
Passaram-se três anos felizes na Amazónia, até que Tomás Puga adoece com beriberi, uma doença tropical. O médico dita a sentença: Tomás tem de regressar a um clima temperado, sob pena de morrer. A família Puga embarca de novo, de regresso a Lisboa – mas o chefe de família não aguenta a viagem e morre a bordo, ao largo de Cabo Verde. O funeral é feito no mar. À chegada à Lisboa, sem o sustento da família, esperava-os a miséria.
PASSAPORTE. O documento de 1890 que garantia a entrada dos seis elementos da família Puga na “República dos Estados Unidos do Brazil”
Foi a educação dos anos de desafogo financeiro, que proporcionou aulas de piano, costura e bordado, que permitiu à mãe e às irmãs Puga sobreviverem. Hilda dedicou-se à costura – nunca deixou de costurar, a vida toda. "Fê-lo diariamente até aos 96 anos", conta o neto - "lençóis, toalhas, fardas de empregada, crochet", e ocupava-se muito em leituras. Mas a vida ainda lhe reservaria outros desafios.
Ainda antes dos 30 anos, Hilda teve um primeiro cancro de mama, que o pai do médico Gentil Martins retirou. Na mesma altura, casou-se, com um jornalista – foi a última das irmãs a fazê-lo. Mas também aqui não teve sorte, permanecendo casada escassos dois meses. Arremessou um candeeiro à cabeça do marido, e, apesar de muito católica, pediu o divórcio em 1932 (ainda antes da Concordata ser assinada em Portugal), somando para si mais um estigma social: o de mulher divorciada.
COSTURA. Foi esta máquina de costura que garantiu o sustento da família Puga após a morte do pai, na viagem do Brasil para cá. Hilda costurou diariamente até aos 96 anos, mesmo após perder a visão do olho esquerdo
Não tornou a casar-se, e nunca teve filhos – mas criou como tal uma sobrinha, Emília, que lhe chamaria sempre "mamã". Aos 60 anos, Hilda teve um cancro na outra mama, e mais tarde, retirou outro tumor, na barriga. Cegou ainda de um olho, o esquerdo. A tudo isto sobreviveu. Com a costura, sustentava a mãe e filha "adotiva". Até que esta se casou, em 1957. Após 3 anos de vida em comum com Emília e o marido, optou por ir para um lar, aos 77 anos. Estava muito habituada ao seu espaço, e custava-lhe ter de prescindir da sua liberdade.
Onze anos mais tarde, sofreu o maior de todos os golpes: Emília morria, de cancro de mama. Hilda remeteu-se à clausura total, no lar, não saindo de lá durante uma década. Foi preciso nascer o primeiro sobrinho neto para tornar a passar o Natal em família. Em 1991, parte uma perna e cai à cama. Nessa altura, o seu maior problema era "não poder costurar". Dois anos depois, falece, aos 101 anos. Morria o rosto da República, cuja implantação se assinala esta quarta-feira. Daqui
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